
Momo, um restaurante a Oriente
A recente abertura do MoMo no Casino Lisboa fez-me pensar em três coisas:
1- Eu gosto mesmo de "chinesices";
2- Em Lisboa, não há assim tantas "chinesices" que se aproveitem...
3- Eu ainda não me manifestei sobre as boas "chinesices" da capital. (Ou falo delas agora ou calo-me para sempre!)
O MoMo não é um restaurante chinês, não tem empregados de olhos em bico, não demora 2 minutos a aquecer os pratos de comida no microondas, nem serve Porco agridoce. O chefe de cozinha até é português! E que português... É "o" Paulo Morais, "o" português das orientalices, o responsável pelo sucesso de muitos restaurantes virados para o Oriente e dono e senhor do Umai, no centro de Lisboa.
Paulo Morais é que é. E o Grupo Lágrimas, sabendo disso, soube ir buscá-lo para chefiar a cozinha deste seu novo espaço vestido de vermelho no Casino Lisboa. MoMo porque é o mesmo nome de um tipo de dumpling popular na cordilheira dos Himalaias, com origem na palavra chinesa mómo ("pão cozido a vapor") e porque significa pêssego em japonês. E assim, com uma palavrinha apenas, se definia o conceito que não se queria exclusivamente chinês, japonês ou tailandês, mas pan-asiático.
É por isso que no MoMo há um Menu Japão (Camarão tigre e novilho grelhado com yakimeshi e legumes salteados), um Menu Tailândia (Caril verde com peixe e marisco e arroz de jasmim; som tom Thai; salada de papaia verde), Menu Índia (Vieiras em espuma de caril; pão naan com chutney; salada de arroz tufado com ervas aromáticas; kofta de borrego), um Menu Vietname (Rolo de papel de arroz com legumes; phô bó - caldo de carne; salada de manga e camarão finia) e um Menu Veggie Pan Asian (couve pak choi salteada; mini crepes de legumes; beringela chinesa grelhada com molho de miso; pad thai - massa salteada com tofu e legumes).
Aqui, junto à Estação do Oriente desenhada por um arquitecto espanhol, vários portugueses decidiram mostrar como se fazem "chinesices" para todos os gostos.
Para aqueles que procuram um verdadeiro chinês e não se queiram deslocar até ao Estoril para comer no melhor (e mais caro) chinês in town ("el" Mandarim), sugiro a versão low-cost, tão na moda nestes tempos todos "troikados" que vivemos... Falo do Grande Palácio Hong Kong, junto à avenida Almirante Reis. Gosto especialmente da massa de arroz salteada com legumes e galinha, dos dim-sum e das beringelas recheadas (e do preço que facilmente se deixa ficar pelos 15 euros...).
E já que aquele supermercado oriental do Prior Velho fechou as portas, há que tirar o sábado de manhã para absorver o Martim Moniz (e não deixar que ele nos absorva a nós). Porque esta Lisboa que amo também é para degustar. Sempre que possível. Sem moderação.
(Se lhe interessam as "japonices", esteja atento às cenas dos próximos episódios em www.monicainn.com)
Restaurante MoMo (Casino Lisboa): 917 959 707
Restaurante Umai: 919 85 86 80
Restaurante Mandarim (Casino Estoril): 214 667 270
Restaurante Grande Palácio Hong Kong: 218 123 349

Parece paraíso? Não. É o paraíso!
Conquistou Arthur C. Clarke, mencionou-a Camões, filmou-a David Lean em A Ponte do Rio Kwai. Já foi Serendib, a ilha-jóia, chamou-se Ceilão. Hoje é Sri Lanka como só ele mesmo. Por ora ficamo-nos pelos mil encantos do Índico a Sul. E há tanto para lá das praias…!
Carrego no item "Músicas aleatórias" do meu ipod enquanto caminho pela praia. São oito e meia da manhã. Acordei sem despertador, com o ruído vindo de um Índico cheio de personalidade. E, por isso mesmo, acordei bem disposta. Outra coisa não seria possível... afinal estou no Sri Lanka!
Se, à partida, Daft Punk não parecia ser a banda sonora mais adequada, a música-emblema desta banda francesa, “Around the world”, comandou-me os primeiros passos na areia grossa da praia de Thalpe. O conceito de aleatoriedade posto em causa?!... Parecia propositada – e tudo menos aleatória – a escolha do pequeno aparelho. Pela Volta ao Mundo cirandava nesta praia às primeiras horas da manhã. E viajava. Como num país pequeno como este, com 65.610km2 e 20 milhões de habitantes, se pode viajar tanto?!...
A viagem que tinha acabado de empreender pelas praias do sul desta ilha a sul da Índia fazia-se, em primeiro lugar, dentro de mim. Impossível chegar ao Sri Lanka e não olhar para dentro. Há demasiada beleza, demasiado exotismo, demasiados sorrisos, demasiada autenticidade, demasiada tranquilidade. E nunca nada é demais...
Há sabor autêntico. É, entre muitas outras coisas, um país de fruta doce. Existem mais de 30 tipos de mangas e 25 variedades de bananas, além de abacaxi, papaia, pêra abacate, maracujá… E não é o número que surpreende, mas o gosto. Arriscava mesmo dizer que vale a pena voar até este cantinho da Ásia para fazer um banquete à base de banana vermelha. E, já agora, aproveitar para provar todas as outras especialidades desta “casa” – que são muitas e boas e não se ficam pela cozinha.
O Sri Lanka é, tradicionalmente, um país agrícola. Arroz, cana-de-açúcar, especiarias e chá estão no quadro de honra. Por essas e por outras, “arroz e caril”, mais do que um prato local, é uma instituição nacional. Vem entre aspas não por estilismos gramaticais, mas por assim significar mais do que as palavras isoladamente significam. É um nome próprio que indica uma refeição farta de arroz (branco e vermelho) e caril (os de vegetais, peixe, galinha ou caranguejo são os mais usuais).
O caril é feito de leite de coco e especiarias. Dito assim parece simples… mas não é. O rol de especiarias inclui folha e pó de caril, açafrão, chili, cardamomo e, muitas vezes, canela. E, nos acompanhamentos, figuram quase invariavelmente o feijão verde, o papadam e o chutney – nem sempre mas quase sempre de manga, claro!
Para em Roma se ser romano, há que experimentar “arroz e caril” a todas as horas do dia – inclusive ao pequeno-almoço! – e, de preferência, fazê-lo com as mãos, como manda a tradição.
Caril é coco. Coco é Sri Lanka. Para fundamentar a teoria aparentemente simplista basta dizer que há zero por cento de desperdício de coqueiro nesta terra de natureza fulgurante. Em bom português diríamos que o coqueiro é aproveitado da cabeça aos pés. Em cingalês chamam-lhe o amigo flexível, a fada madrinha ou a Árvore da Vida, já que lhes serve de abrigo, de subsistência, de combustível e de remédio: o tronco usa-se nos tectos das casas, molduras de portas e janelas, em mobiliário, barcos; a casca faz uma cutelaria lindíssima e dos seus filamentos extrai-se a fibra de cordas, escovas, redes de pesca; a folha nova utiliza-se na decoração de casamentos e funerais e outras ocasiões especiais, enquanto a folha velha serve de abrigo e protecção dos telhados; o coco novo bebe-se, o maduro rala-se e dele se faz também leite e óleo; as flores decoram as bodas, mas antes de servirem tão casto propósito, são o componente principal do vinagre e do toddy. O que é o toddy? Se estiver no Sri Lanka e beber algo que parece whisky, saiba que não é. É Arrack, um destilado feito de toddy. Feito de coco, portanto.
E coco é...? Sri Lanka, claro! Diz uma de muitas lendas que esta Árvore da Vida cresce melhor quando plantada perto das pessoas, das suas casas e, principalmente, dentro do alcance das suas vozes. Dá que pensar…
Esta imagem faz-me voltar ao ponto de partida. Ao areal da praia em frente ao Hotel Apa Villa, em Thalpe. Ao compasso acertado pela música dos Daft Punk. Aos coqueiros que embelezam estes areais e nunca nos deixam esquecer onde estamos. Onde? No paraíso. Ou, pelo menos, em algum lugar muito perto disso... Digo eu, que nunca tive a oportunidade de visitar o paraíso pessoalmente. Segundo uma autoridade na matéria, não estou muito longe: uma bula papal com seis séculos afirma que, de acordo com uma lenda nativa, “de Ceilão ao Paraíso distam quarenta milhas” e é bem possível que daqui “se consiga ouvir o som das (suas) fontes”. Para aqueles que, como eu, se fiquem por esta vizinhança, garantida está uma paisagem prolífica e diversa: montanha, selva, cidades ancestrais, lagos, estátuas de Buda, plantações de chá, elefantes, leopardos, pássaros, tartarugas, peixe, marisco e… praias. Senhoras e senhores, é com enorme (mas mesmo enorme!) prazer que lhes apresentamos o Oceano Índico.
“Breathe” de Midge Ure é a música que se segue. A aleatoridade funciona demasiado bem. Respiro, sim. Há ar, espaço, liberdade. Há águas cálidas e transparentes e uma piscina daquelas que olham o infinito. Elas existem, que fique aqui registado. Existe pelo menos uma no Hotel Apa Villa, em Thalpe. Não é grande, é até estreita, mas, por contraditório que possa parecer, larga o suficiente para umas braçadas de frente para o mar e imensa o bastante para flutuar a olhar as estrelas no céu. Que las hay, hay… e muitas!
Podíamos acrescentar poesia, mas o Apa Villa não precisa. O poema é o ar que se respira. A tranquilidade que se sente. É, ao primeiro minuto, descalçarmos os sapatos e sentirmo-nos em casa. É tomarmos banho de chuveiro numa casa de banho quase a céu aberto. O luxo é a ausência. É o elogio à simplicidade.
O Apa Villa é propriedade de Hans Höfer, um alemão que se aventurou pelo mundo com meia dúzia de tostões no bolso e se tornou o responsável pela criação dos guias turísticos Insight Guides (há centenas de exemplares espalhados pelas salas e quartos). Hoje é milionário e tem um pé em Singapura, outro em Londres e algumas partes do corpo aqui mesmo, na praia de Thalpe, no sul do Sri Lanka, quase na esquina com o oeste. O Apa Villa fica exactamente “na” praia. Para o provar, contei os passos que separam o deck de madeira da piscina e a primeira linha do oceano em maré baixa. Dez é um número suficientemente pequeno?!
A praia é perfeita para a tal caminhada. Quanto a banhos, só pairando sobre os corais. Desde Galle (a oeste) até Weligama (a este) todas as praias têm chão de coral, com a excepção de Unawatuna. Mas não é motivo para desmoralizar. Bem pelo contrário.
Dêem-se as graças aos corais, porque graças a eles, aqui nasceu algo único no mundo. Em inglês chamam-lhe “stilt fishermen”. Numa tradução desengraçada, “pescadores de andas” serviria.
Já diz o povo que mais vale cair em graça do que ser engraçado e esta peculiar forma de pescar é de uma graciosidade cinematográfica. É a única forma que os locais encontraram de o fazer: os barcos não se conseguem aproximar da costa nem é possível pescar ao fundo a partir da areia... O instinto de sobrevivência descobriu uma alternativa e, há cerca de 100 anos, busca-se pescado assim. Como? Galgando uns paus fixos nos corais. Paus ou tubos, consoante o que se arranja. Duram de seis meses a um ano e, cuidado!, há lugares reservados.
De manhã e ao fim da tarde, quando o sol é menos escaldante, é vê-los empoleirados em cima dos troncos a atirar ritmadamente a cana artesanal em direcção à água. Estão à cata de peixe. Miúdo, mas de graúdo contentamento, garante-nos Cyril.
Cyril tem 29 anos e aos 12 já por aqui andava, de cana na mão, à procura do ganha-pão da família. Foi o pai que o trouxe. Ele certamente trará um filho. Cyril tem a pele curtida do sol, como bom cingalês que é. Usa bigode, como muitos nesta ilha. Exibe um sorriso rasgado, como todos neste país de simples costumes. É ele quem nos conta como ali passam cerca de quatro horas de manhã e outras tantas à tarde. E como, em dias de marés mais tranquilas, chegam a apanhar 200 peixes. Às vezes maiores, mas, a maior parte delas, pequenos e da família da sardinha. Vendem-no logo ali, à beira da estrada, fresco fresquinho, sem pontinha de gelo. Ou então levam-no para casa e fazem-no frito (com óleo de coco, claro) ou em caril (com leite de coco, óbvio).
“Lágrima da Índia” é um dos cognomes do Sri Lanka, devido à forma da ilha que “cai” aos pés do país vizinho. Percebo mas não o aceito. Percebo que muitas lágrimas foram derramadas exactamente aqui, quando o tsunami, a 26 de Dezembro de 2004, tratou de levar quase tudo e todos à sua passagem (30 mil cingaleses morreram e 100 mil ficaram sem casa). Mas prefiro acreditar nos sorrisos. Que são muitos. E sinceros. E contagiantes!
“Do you believe in what you see?” cantam agora os Zero7. Continuo pelo areal repleto de conchas e corais e percebo como as marcas dessa tragédia estão praticamente apagadas da paisagem. E dos rostos. Sim, acredito no que vejo. E no que sinto. E sinto-me em paz.
“No worries”, de Simon Webbe, é a música que se segue. E podia muito bem ser o som de fundo deste périplo por um pedaço sul do Sri Lanka. Tudo começou na praia de Tangalla, iluminada pela lua, decorada por incontáveis estrelas no céu e bafejada por uma brisa da sorte. Momento dois.
O momento zero passou-se numa piscina. Pequena, pouco funda, sem vista para o mar. Não serviria de referência não fosse tratar-se da “minha” piscina. A piscina privativa da minha suite do hotel Amanwella, mais conhecido por magnífico-palácio-do-hedonismo-por-favor-quero-regressar. Não fosse o toque quente da água na minha pele às nove da noite, não acreditaria.
Isto aconteceu após vários pares de horas numa viagem tipo corrida de obstáculos, por caminhos inenarráveis, com o código da estrada a reinventar-se a cada momento. Fiquei disposta a aprender tudo sobre a língua oficial do Sri Lanka: a buzina. Podia demorar, mas ia conseguir – porque instrutores há muitos!
O momento um aconteceu ao jantar. A temperatura… só sentida para acreditar. O espaço… só visto para se perceber como funciona esta belíssima homenagem ao grande arquitecto do país, Geoffrey Bawa (1919-2003). A estrutura parece não existir, vê-se através dela. As paredes não tapam, antes descobrem. As janelas não cerram, abrem-se para a natureza – para os coqueiros da praia, para a piscina-infinito, para o oceano, para o céu imaculado...
Não demora mais de dois minutos a perceber porque é que o presidente indonésio dos Aman Resorts se apaixonou por esta praia em Tangalla. Diga-se de passagem que Aman significa “paz” em sânscrito. E é fácil aderir ao conceito deste hotel: ao luxo de não fazer nada. As pequenas toalhas turcas enroladas chegam acompanhadas por um sorriso, a cada hora. E chegam frescas, com cheiro a lavanda… A meio da manhã que tal um sorvete caseiro?!… E não há five o’clock tea que não venha guarnecido com um bolo acabado de fazer. O meu era de coco!
Estar um passo à frente do hóspede. Dar-lhe tudo o que deseja antes de o desejar. Podemos transportar a filosofia dos Aman Resorts na mala de viagem sem pagar o excesso de bagagem?! Não adivinharam os meus desejos… porque nunca desejei tanto. Enquanto sentia na pele os benefícios de uma massagem ayurvédica (no país onde ela foi inventada), nem sequer me lembrei quão bem saberia depois um banho de espuma e pétalas de flor de lótus, no ultra-conforto da minha suite, a ouvir um CD de música tradicional e com as portas da varanda abertas para o mar! Eles lembraram-se.
Nunca é demais falar da fertilidade desta ilha que Marco Polo considerou “a melhor do seu tamanho”. E nunca é demais referir as suas faculdades. Há muito para lá das ervas que por aqui crescem à vontade. Há a cura. Há ayurveda. A ciência da vida (ayur significa vida) estuda-se em cada canto deste país. Os seus segredos passam de geração em geração e não há cingalês que se preze que não os utilize para todo o tipo de maleitas – físicas e espirituais. Existem clínicas e hospitais ayurvédicos, farmácias, spas… A ayurveda baseia os seus princípios na crença de que o desenvolvimento de cada um de nós é comandado pela combinação dos cinco elementos da natureza. Seguir esta cura sabe bem, recomenda-se e não traz consigo efeitos secundários. Pelo menos dos desagradáveis...
Natalie é inglesa mas também ela conhece os benefícios desta prática holística. Tem de saber. Ela é a spa manager dos dois únicos hotéis Aman do Sri Lanka: Amanwella e Amangalla. Da praia (wella em cingalês) para a pedra (galle), que também é nome de cidade. E Galle é nome de cidade fortificada pelos portugueses (1505), em 1640 “usurpada” pelos holandeses (que destruíram quase todos os vestígios da presença lusa) e, em 1796, ocupada pelos ingleses. É nome derivado do nosso “galo”, animal que os conquistadores julgaram avistar (e ouvir) à chegada.
O Forte de Galle – e a cidade intra-muros – foi considerado Património da Humanidade pela Unesco. Podia aproveitar o facto para relevar as motivações arquitectónicas desta distinção, mas não foram essas as que mais me impressionaram. Galle são duas cidades numa só e são as portas do Forte que as dividem. Para lá das muralhas, descobre-se uma vida intensa. Não a dos cartões-postal, mas uma vida real onde vive gente real. A gente que a lente do Constantino captou na essência. A gente que dá vida ao mercado de fruta, que buzina em vez de falar. A família que desloca todo o seu agregado na mesma bicicleta (ou na mesma mota) e assim segue, transportando um sorriso no rosto.
Dentro das muralhas há dessa mesma gente, mas dedicada a uma vida que vive mais do turismo. Sim, comprei um vestido para turista vestir, comprado a uma muçulmana junto ao farol da cidade. Não sei se foi por não resistir à famosa renda de Galle ou por querer trazer um pouco das poucas heranças portuguesas do Sri Lanka para Portugal. Comprei também uma pulseira da amizade, feita na rua por uma cingalesa. Dá sorte, dizem.
Resisti às jóias. E entrei em todas as lojas da Church Street e arredores – The Fort Gallery, Elephant Walk, Exotic Roots, Dutch Gallery, Barefoot. Resisti a elas mesmo depois de ver a famosa safira azul do Sri Lanka, de um azul que só ela mesmo. E há mais neste país para lá da safira: rubi, água marinha, topázio, ametista… as gemas da região de Rathnapura são famosas desde tempos imemoriais e são tão importantes que, para a recolha de todas as pedras, há um procedimento especial onde intervêm astrólogos – e nunca astrólogas! Os ingleses deram uma ajuda preciosa na sua projecção mundial. O famoso alfinete “Pantera” feito pela Cartier para a duquesa de Windsor… a célebre Estrela da Índia, pertencente à rainha de Inglaterra…? São safiras cingalesas!
É terra rica esta. E digo-o não enquanto analiso a autenticidade das pedras (importante escolher sempre uma loja ou negociante membro da Sri Lanka Gem Traders Association ou da International Coloured Gemstone Association). Afirmo-o enquanto observo as crianças à espera do autocarro da escola. Estão ali todos os dias à mesma hora, em frente à porta do hotel Amangalla. Observo-as enquanto tomo o pequeno-almoço na varanda-alpendre de ar colonial e mobiliário do período holandês. Faço uma curta viagem à idade da inocência, enquanto elas brincam, penduradas no ramo das grandes árvores centenárias importadas e mandadas ali plantar pelos ingleses. E lembro-me das palavras de Prasantha, o nosso guia-motorista, a justificar os uniformes escolares invariavelmente brancos: prova que és asseado, termina o dia imaculado.
Há um fascínio nacional pelo branco. Por tudo o que é branco e, principalmente, pela pele branca. Homens e mulheres de todas as idades passeiam-se nas ruas de sombrinha. Abrigam-se do sol abrasador, escondem-se dos raios que os escurecem.
Cada minuto que passo em Galle é um passo que dou em direcção ao passado. Viajo até a uma época em que o New Oriental Hotel (Amangalla desde 2005) fazia marcas no tempo. Fundado em 1863, sempre foi povoado por histórias de fantasmas, amores românticos e tertúlias explosivas. E isso sente-se. Há mistério e glamour no ar – e a música que toca no quarto, mal entro, contribui decisivamente para isso. Vai um pezinho de dança à moda do século passado? Uma sessão de hidroterapia no spa The Baths, uma massagem… ou prefere fazer a barba à moda antiga? Talvez uma aula de ioga no Pavilhão do Jardim ou uma sesta nas camas da piscina?...
Para mim serve um gin tónico very british, mas made in Sri Lanka, enquanto admiro o sol a descer sobre os telhados do casario de Galle, no Sunset Lounge do hotel Amangalla. Isto num dia. No outro, juntei-me aos nativos e instalei-me num dos muitos bancos de pedra que pontuam o passeio sobre a muralha da cidade. E apreciei… O jogo de cricket que se jogava lá em baixo no campo, animado, desporto nacional e motivo de orgulho geral – e outro dos contágios britânicos por estas bandas. Os casais de namorados protegidos (do sol e de olhares indiscretos) por uma sombrinha. Os grupos de amigos que jogam futebol sobre o relvado ou passeiam abraçados. Aguardo. Enquanto as mil cores do sol se põem sobre o mar, tiro fotografias sistemáticas. Guardo-as na minha memória ram. Ayubowan, Sri Lanka! Até à próxima, foi um prazer!, digo em cingalês. Foi de facto. Um verdadeiro prazer.
METEREOLOGIA
O Sri Lanka é um país tropical, fica a 650km norte do Equador, e regista pequenas amplitudes térmicas diurnas e anuais – no Sul rondam os 27º. Existem duas épocas de monções: a da metade sudoeste da ilha acontece entre Maio e Agosto. A época mais seca na costa Sul tem lugar entre Dezembro e Março. Contudo, e apesar das reduzidas dimensões do país (65.610km2), há clima de praia durante todo o ano em alguma parte da costa. O tempo não segue padrões rígidos – pode chover quando é suposto estar sol e vice-versa – e, mesmo na época baixa, nunca chove o tempo todo. A água do mar ronda os 27º todo o ano.
FUSO HORÁRIO
GMT+5h30
PORTA-MOEDAS
A moeda local é a rupia (€1=120 rupias). Aconselha-se a que faça o câmbio à chegada, no aeroporto de Colombo. No entanto, existem terminais de Multibanco em quase todas as vilas e os cartões de crédito são aceites na maioria das lojas, hotéis e restaurantes. Uma água custa cerca de 50 rupias e uma refeição anda entre as 100 e 450 rupias num restaurante local ou numa guesthouse e as 2000 num restaurante de topo. É costume dar gorjeta tanto aos empregados como aos guias locais. Num restaurante, 10% do total será satisfatório.
COMO SE DESLOCAR
A condução é feita à esquerda, como os britânicos, mas ordem é tudo o que não existe nas estradas do Sri Lanka. A maior parte delas está em mau estado de conservação, a sinalização é quase inexistente e a condução dos locais é, no mínimo, peculiar. Aconselha-se o aluguer de carro com motorista-guia para circular à vontade na ilha (entre €25 e €50). É a melhor forma de evitar locais de eventual tensão étnica e de circular em segurança.
ONDE FICAR
APA VILLA
Cara a cara com o Oceano Índico, 8km a sul de Galle, tem sete suites distribuídas em três villas. Restaurado após o tsunami, vive de uma ambiência de luxo descomprometido. Tem uma piscina espelho d’água de 25m de comprimento e serve refeições nos alpendres. A partir de €150.
78 Milestone Matara Road, Thalpe
Tel.: (+94 91) 228 33 20
www.apavilla.com
AMANWELLA
Perto de Tangalle, mas longe de tudo o que possa afectar a paz reinante nesta praia do sul do Sri Lanka. Aman significa paz em sânscrito e wella, praia em cingalês. O nome diz tudo menos que existe um restaurante e um Beach Club onde também são servidas refeições mais ligeiras, que as generosas 30 suites têm piscina privativa, que a piscina principal mede 47m, que há spa, lounge bar, biblioteca e boutique e um inúmero rol de serviços extra que mostram como é a hospitalidade made in Sri Lanka. A partir de €400 (estão disponíveis programas que combinam a estada no Amangalla e Amanwella).
Tangalle
Tel.: (+94 47) 224 13 33
amanwella@amanresorts.com
www.amanresorts.com
AMANGALLA
No interior do Forte de Galle, respira-se História entre as suas paredes com mais de 400 anos. Existem quatro categorias de alojamento: Bedrooms, Chambers, Suites e Garden House. O restaurante The Zaal serve refeições cingalesas com toque contemporâneo, no interior ou numa espectacular varanda. The Baths é o nome do spa, com massagens e tratamentos diversos, sauna, banho turco, piscina de hidroterapia e uma curiosa Barber Shop à antiga. A piscina de 21m está inserida no meio de um jardim exuberante e é composta por camas-lounge. Na biblioteca pode descobrir mais sobre a prolífica história da cidade, do hotel e do seu período de ouro, conhecido como período holandês. A partir de €400 (estão disponíveis programas que combinam a estada no Amangalla e Amanwella).
Galle
Tel.: (+94 91) 223 33 88
amangalla@amanresorts.com
www.amanresorts.com
RESTAURANTES E BARES
RAMPART HOTEL
Meio decadente, eis o local ideal para quem quer tomar uma bebida com vista para um pôr do Sol memorável, com as muralhas do Forte de Galle a meio caminho. Aqui provam-se também as pescarias feitas nas imediações e uma saborosa lagosta. Cerca de €5.
3 Rampart Street, Forte de Galle
Tel.: (+94 91) 223 44 48
LIGHTHOUSE HOTEL
Assinado pelo grande Geoffrey Bawa, este hotel encaixa-se nas rochas desta beira-mar junto a Galle. Além de ser uma oportunidade para admirar o traço excepcional deste arquitecto e de admirar a escadaria-escultura do artista Laki Senanayake, que retrata a chegada dos portugueses ao Ceilão (qualquer semelhança com personagens de filmes de terror não é pura coincidência), tem no restaurante Cinnamon Room uma ocasião ideal para experimentar alta cozinha cingalesa combinada com alta vista para o Índico. Cerca de €20.
Galle Road, Dadella
Tel.: (+94 91) 222 37 44
www.jetwinghotels.com
ILLUKETIA
No interior mas muito próximo da costa, este resort junto a Galle, que conta com seis suites, está rodeado de plantações de chá, borracha e campos de arroz. Aqui existem mais de 150 espécies de aves e mais de 500 tipos de plantas. As refeições são servidas na varanda e feitas a partir de muitos dos produtos aqui cultivados, como arroz, ervas aromáticas e vegetais. Cerca de €20.
Tel.: (+94 91) 228 33 20
www.apavilla.com
GUIAS DE VIAGEM
Sri Lanka, Lonely Planet
Sri Lanka, Insight Guides
NA INTERNET
www.visitsrilanka.org
www.srilankatourism.org
www.lanka.net
(Reportagem originalmente publicada na revista Volta ao Mundo de Julho de 2007)

Calatrava Calatrava...
New York Times, Lonely Planet, Time Out. A Visão Vida & Viagens junta-se aos melhores para eleger uma das urbes obrigatórias para 2011. Considerada uma das melhores praias de cidade, um dos melhores destinos do mundo, Valência vale. Isso tudo.
O seu romantismo pode não ser tão conhecido quanto o de Paris. A sua luz não é tão popular quanto a de Lisboa. O seu arroz não tão famoso quanto o risotto italiano. Os seus campos não tão fotogénicos quanto os da Tailândia. As suas flores podem não ser tão marcantes quanto as hortenses dos Açores. A sua arquitetura pode não ser tão eclética quanto a de Berlim. A sua história não tão divulgada quanto a de Barcelona. A sua movida não tão célebre quanto a de Madrid. A sua gastronomia não tão mediática como a do País Basco…
Tudo verdade. Valência é a terceira cidade de Espanha e parece que essa classificação a deixa para uma espécie de terceiro plano. Parece, mas nem tudo o que parece é. E, segundo os reputados guias Lonely Planet, Valência “é” uma das cidades para 2011; “é” uma das dez melhores cidades de praia do mundo.
É a nossa deixa. Estamos em Maio, gente! Merecemos sol, precisamos atestar o depósito de vitamina D. E Valência é o destino certo para isso. Para praia, mas com muitos extras. Para sol, sem sair da península. Falamos de praia como podíamos falar de arquitetura. Destacamos o sol como podíamos destacar a comida. E a beleza de tudo isto, a beleza de Valência, é essa: poder fazer tudo, de tudo.
Praias e albufeiras não é só no Algarve…
Ter 300 dias de sol parece ser um dos atributos mais valorizados desta cidade à beira do mar Mediterrâneo. Garantem os locais e os guias turísticos que chuva só uma semana por ano. Não sabemos se o facto é comprovado matematicamente, mas o rácio de esplanadas por metro quadrado faz-nos crer nisso. Basta descer do centro da cidade até ao passeio marítimo e começar contar “carneirinhos” – que é como quem diz restaurantes, os muitos que se estendem quase a perder de vista.
Hemingway tinha o seu favorito: La Pepica. E parece que pouco mudou desde os tempos em que o escritor viveu na cidade… Dizia o norte-americano na obra O Verão Perigoso: “jantar no Pepica era maravilhoso. Era um lugar grande, limpo, ao ar livre e tudo era cozinhado à vista. Escolhíamos o que queríamos, o marisco e os pratos de arroz valenciano eram os melhores da praia. Ouvíamos as ondas quebrar na praia e a luz a brilhar na areia molhada.” O parágrafo está no passado, mas pode ser colocado no presente. Porque o La Pepica continua a ser um desses restaurantes junto à praia, o ar continua a circular livremente pela sala ampla, o som do mar continua-se a ouvir distintamente e o marisco e a paella continuam a ser as especialidades incontornáveis.
Valência é paella – ou paella é Valência! Tanto faz, desde que se faça a experiência: comer paella em Valência. Com peixe, galinha, coelho, marisco ou vegetais, mas sempre com o arroz ligeiramente agarrado ao fundo da frigideira, a meio-caminho entre o tostado e o queimado, devorado com pequenas colheres de pau, directamente no recipiente. Esqueça lá os talheres convencionais, os pratos individuais e atire-se à frigideira que deu nome ao prato. A verdadeira paella é a frigideira!
Os puristas da gastromomia asseveram que a paella original era confeccionada com as enguias da Albufera. E assim, numa visita guiada pela paella, vamos de mergulho em mergulho: depois das águas salgadas das praias do centro da cidade, venham as salobras dos arredores.
La Albufera é o parque natural a uma dezena de quilómetros de Valência, uma reserva de aves protegidas, onde nidificam mais de 300 espécies animais. É lindo de ver! Patos, muitos patos, a esvoaçar. Mas, por mais bonito que seja, e por estranho que até possa parecer, não são as aves que originam as filas de trânsito aos fins-de-semana. O principal atractivo deste parque natural é o arroz. Os campos e a confecção. Aqui nasceu o Bomba, aquele que tornou a paella uma “estrela” de projecção internacional.
Beach-girl
De acordo com a Lonely Planet, uma das vantagens de Valência é oferecer um vasto leque de opções para os amantes da praia. O prestigiado guia recomenda que estenda a sua toalha ao largo da Playa de la Malvarrosa ou na vizinha Playa de las Arenas. Nós também.
O Paseo Marítimo acompanha cada uma dessas praias e a tal “fiada” de restaurantes e esplanadas. Foram essas praias que colocaram Valência entre as 10 melhores cidades de praia do mundo, ao lado de portentos como o Rio de Janeiro e Miami. É preciso dizer mais?...
A Lonely Planet também elegeu a capital da Comunidade Valenciana como uma das melhores segundas-cidades da Europa. E justifica: é menos “excêntrica” que Barcelona, mais cool que Madrid. É “o mais tranquilo city-break de Espanha, pontilhado de laranjeiras, sol e cultura”. Dizem eles, concordamos nós.
A culpa é das laranjas… Do dinheiro que originaram os anos de glória das laranjas e do vinho, nos séculos XIX e XX. Nessa altura, depois do reinado da seda, instalou-se na cidade uma classe endinheirada. E por causa dela construíram-se belos exemplares de arquitetura modernista, com fachadas glamorosas, pátios interiores e esquinas octogonais para deixar passar os eléctricos que acabavam de chegar à cidade.
Valência é, aliás, uma cidade feita de arquitetura, de camadas de arquitetura. Fundada pelos romanos numa ilha do rio Turia, a cidade guarda os vestígios desse passado no centro histórico, onde estão preservadas ruínas romanas, visigodas e árabes. Em 1865 destruíram-se as muralhas e doze das catorze portas de entrada da cidade (restam apenas as Torres de Quart e Serranos). A destruição levou à construção: foram-se as muralhas, ficou a ampliação. De romana-árabe-visigótica-barroca-e-gótica, a cidade passou a modernista e a futurista. Do centro histórico de ruas labirínticas e estreitas evoluiu-se para uma zona nova e nobre, de ruas ordenadas e geométricas.
A última das grandes mudanças desta cidade em permanente mutação operou-se em 2007, junto ao Mediterrâneo. Construiu-se um novo porto para receber a 32ª America’s Cup e a importância do acontecimento foi tal que o local foi baptizado de America’s Cup Port.
No te calles, Calatrava!
Mas a principal transformação da cidade, a responsável pela sua elevação turística, cultural, arquitetural, aconteceu em 2003 com a construção de uma nova cidade dentro da cidade, assinada pelo homem da cidade: o arquiteto Santiago Calatrava. A Cidade das Artes e Ciências está para Valência como os Jogos Olímpicos de 1992 estão para Barcelona. Ou como a Expo’98 está para Lisboa (curiosamente, também aí, na Gare do Oriente, Calatrava deixou a sua marca).
E lá voltam à baila as laranjas… Olhando hoje para esta cidade de 350 mil metros quadrados, para este “complexo” de cultura e lazer futurista, é difícil imaginar que um dia o lugar foi ocupado por campos de laranjas, hortas e fábricas de cerâmica. É difícil imaginá-lo mesmo olhando as chaminés. São as únicas marcas que restam dessa vida anterior. Uma vida a.C.: antes de Calatrava, antes do betão, do vidro, do aço e da trencadis, a cerâmica valenciana inspirada em Gaudi que o arquiteto valenciano recuperou para os dias de hoje.
Pausa para algo que satisfaz mais de duas vezes. Satisfaz sempre, ficar a olhar, passar em frente, entrar, parar e ficar hipnotizado com os reflexos impossíveis daqueles espelhos de água... Primeiro toma forma a “espinha de peixe” do Palácio das Artes Reina Sofía, depois o “olho” do L’Hemisfèric, os “esqueletos” do Museu das Ciências Príncipe Felipe, L’Umbracle e, um pouco más lejos, L’Oceanogràfic.
É possível ter espectáculos de ópera, dança e teatro, sala de cinema de última geração, planetário e espectáculo laser, exposições científicas interactivas, passeio de esculturas e sete mil metros quadrados de explosão botânica, uma visita a todos os ecossistemas do mundo sem sair de um só espaço? Sim, é possível. O que é impossível é ver tudo de uma vez.
Apesar do mediatismo deste lugar, não falamos de um “lugar comum”. De longe! É, aliás, incomum o adjectivo que melhor descreve a obra-maestra deste arquiteto maior. É singular a obra, é singular o mestre, mas não é no singular que se consegue descrever a sua obra plural. Não é uma obra, são várias. Não é uma peça de arquitetura, são muitas. O estilo tem uma marca comum, uma assinatura metamórfica, antropomórfica, orgânica, espacial, futurista. São peixes, são espinhas, são colunas vertebrais, é imóvel mas parece movível. É uma assinatura única mas com muitas linhas.
Pontes sem feriados
Já o dissemos: estamos na terceira maior cidade espanhola, uma cidade abençoada pelo mar Mediterrâneo e atravessada pelo rio Turia. Ou melhor… em tempos atravessada pelo Turia. Hoje, as quinze pontes que ligam as duas margens do rio fazem-no sobre um manto verde, numa profusão de jardins e flores. Mas água… só mesmo a das fontes. Os números não enganam e a História muito menos: há um milhão de metros quadrados de espaços verdes na cidade e dez quilómetros estão exactamente aqui, por baixo das tais pontes, no antigo recorte do rio Turia.
Tempo para uma analepse. 1957. Grande catástrofe. Mais uma inundação do Turia provocava quase uma centena de mortos. O rio tinha de ser desviado. “Pensado e feito”, diz o ditado valenciano. Assim foi: chamaram-se arquitetos para redesenhar a paisagem. E entre cada uma das pontes, ficou uma assinatura.
Em vez de água doce, existem árvores e flores, pérgolas e fontes, passeios pedonais e ciclovias. E gente. Muita. A caminhar, de bicicleta ou a correr. A sós ou acompanhada.
Escolhemos a Ponte das Flores para descer até aos Jardins do Turia. É talvez a mais moderna e uma das menos modernaças. É também a mais cara da cidade. Como assim?! Não é vestida por griffes, mas é forrada com três mil flores e essas três mil flores são mudadas várias vezes ao ano: flores de Páscoa (ou Natal) para Dezembro, gerânios para o tempo quente, petúnias, margaridas… e assim sucessivamente.
Apesar das flores, esta não é a ponte mais romântica de Valência. Diz quem sabe, ou quem já por lá andou e beijou, que não há como a Puente del Mar para um coração apaixonado. Datada do século XVI, é a única estritamente pedonal e uma das poucas que ainda sentiu o rio passar-lhe por baixo.
Das pontes novas, daquelas erguidas sobre solo já seco, três foram projectadas… adivinhe por quem. 9 de Octubre (Dia da Comunidade), Alameda (com a estação de metro por baixo) e Monteolivete são os nomes das obras, Santiago Calatrava o nome do homem. (O mesmo homem que é o autor de parte do novo projecto para o World Trade Center em Nova Iorque).
Moderna, eu?!
Junto a uma dessas muitas pontes, junto aos tais Jardins do Turia, fica o “cinco estrelas gran lujo” que, por estas bandas, responde pelo nome The Westin Valencia. E o que tornou este hotel gran?! As Westin Heavenly Bed, os Heavenly Shower, o spa, o ginásio hi-tech, o bar H-Club, os restaurantes Rosmarino e Gourmet, o jardim-terraço, os 135 quartos… Mas não só. O Westin pode ser visto como uma espécie de cartão-postal da cidade. Aberto em 2006 sobre uma fábrica de lãs do início do século XX, é um digno exemplar do modernismo que tanto glorifica a cidade.
O mesmo acontece com o Hospes Palau de la Mar, um hotel contemporâneo erguido sobre dois palacetes modernistas de finais de Oitocentos. E, do Palau de la Mar, situado bem junto ao antigo leito do rio Turia, partem algumas das grandes avenidas que articulam a cidade, criadas naqueles primeiros anos de 1900, e que hoje são morada de grandes lojas, de marcas de renome quer nacionais quer internacionais. Chamam-lhe Eixample Noble por alguma razão…
O Mercado del Cólon, da década de 1930, é o exemplo máximo do modernismo à valenciana e fica também nesse bairro “nobre”. É uma estrutura em ferro, a lembrar Eiffel, forrada a trencadis, a cerâmica da terra composta por pequenos fragmentos irregulares. Actualmente não tem bancas de legumes nem de peixe, mas foi recuperado para albergar cafetarias, bares, floristas, lojas e dois restaurantes bastante recomendáveis: o Bamboo (no piso inferior) e o El Alto (em cima). O primeiro é moderno, amplo; o segundo, clássico e acolhedor.
Mas para descobrir o que se faz de novo (ou o que os novos fazem) na cozinha valenciana, não há como o Ca’Sento. O restaurante existe desde 1975 e é “a casa de Sento”, a casa que começou por ser de Vicente Alexandre e agora é do seu filho Raúl, o chef de cozinha. Raúl faz comida valenciana. E o que é isso? É arroz, claro, mas são também legumes, marisco, peixe. Aqui alterna-se o melhor da cozinha de produto com o melhor da cozinha de autor.
Ai Carmenzita!
Voamos até à génese, até ao bairro del Cármen, vagueamos pelas ruelas labirínticas carregadas de lojas alternativas, cafés, terrazas, para chegar ao Mercado Central. Mais um exemplar modernista, do início do século XX, com estrutura de ferro. Mas não apenas mais um… Primeiro basta olhar para a aparência. Depois é só entrar para comprar. Os legumes, as carnes e os pescados sorriem e não é só para a câmara... Estamos no maior mercado coberto da Europa, com 959 bancas, 1500 trabalhadores e 15 mil visitantes diários, por isso, se quer comprar, é aqui: recomendamos os cada vez mais afamados vinhos de mesa e moscatel de Valência, os enchidos, o arroz Bomba.
Conselho à navegação: não se carregue de sacos. Vamos andar. Cirandar pelas ruelas estreitas e escuras, carregadas de História e histórias, do bairro del Cármen – definitivamente o mais afamado e movimentado pedaço desta cidade de contrastes.
Iniciamos mais uma viagem ao passado, desta feita até tempos que a memória vai esquecendo, mas a cidade não.
É imprescindível passar pela catedral gótica, que, em 1238, os cristãos construíram por cima da mesquita maior árabe e, no século XVIII, um arquiteto alemão seguidor de Bernini redesenhou barroca. Tem no seu quadro de honra o Miguelete, uma torre octogonal pouco convencional, com um sino de sete mil quilos, e uma vista inigualável sobre a cidade. Tem também um Santo Graal, que os valencianos crêem ser “o tal” e duas telas de Goya, das poucas que os tempos (e os homens) da Guerra Civil não pilharam.
Há que passar pelas esplanadas da Plaza de la Reina e parar na Plaza de la Virgem, a dos desamparados, patrona da cidade. A fonte ao centro representa o rio Turia e os seus oito canais que existem desde século IX. É nesta praça que tem lugar, todas as quintas-feiras às 12h, o Tribunal das Águas, o tribunal civil mais antigo da Europa. A água é um bem precioso e escasso por aqui, por isso são denunciados e julgados aqueles que a usam indevidamente. Nesta cerimónia estritamente oral e em valenciano, o que os oito juízes decidirem, está decidido.
A Água de Valência é, de facto, muito boa. Mas há que ter cuidado com ela. Percebemos o perigo à noite, no Café Madrid, um dos bares mais emblemáticos do centro histórico. Esta “água” é uma bebida que não é incolor, inodora e muito menos insípida. É um “cocktail” que mistura cava valenciano e sumo de laranja e, assim mesmo, com apenas dois ingredientes, se torna imagem de marca de uma certa Valência. A Valência das copas e da movida, das tapas, da descontracção e da boa disposição.
GUIA DO VIAJANTE
COMO IR
A melhor forma de viajar para Valência é de avião, já que as companhias aéreas low-cost começaram a voar para lá. Existem voos a partir de €160 ida e volta.
O aeroporto tem ligação de metro que oferece um horário frequente para o centro de Valência. Para o transfer em autocarro pode escolher duas linhas, mas a melhor opção é a Aero-Bus que o leva directamente para o centro (entre as 06h e as 22h os autocarros saem a cada 20 minutos e a viagem custa € 2,50. O preço dos táxis depende do horário, mas varia entre €0,73 e €0,93 por quilómetro, com uma sobretaxa do aeroporto de €2,75. Uma “corrida” até Valência custa cerca de €15,00.
ONDE DORMIR
Hospes Palau de la Mar
Dreamers, Deluxe, Junior e Presidential Suite ou Family Room são os nomes dos quartos do hotel que se instalou em dois palacetes modernistas do final do século XIX. A recuperação foi assinada pelo arquiteto valenciano Javier Dominguez. Quarto duplo a partir de €130
Navarro Reverter, 14.
Telefone: +34 963 162 884
www.hospes.es
Soluções low-cost
Albergues, hostals, bed&breakfast, apartamentos… tudo low-budget. Yes we can! Mesmo com a crise e o FMI, não há desculpas para não dar um salto a Valência e chegar a casa mais “iluminado”. Os Fallas Apartments, em Russafa, por exemplo, custam €29 por noite.
www.budgetplaces.com/pt/valencia
www.budgetplaces.com/pt/valencia/apartamentos
The Westin Valencia
The Heavenly Bed, The Heavenly Shower/Bath e um heavenly jacuzzi na varanda do quarto. O céu na terra é The Westin Valencia. Com a chancela da cadeia hoteleira americana Starwood. Não foi por acaso que a prestigiada Condé Nast Traveler americana o colocou na Gold List de Urban Hotels in Spain. Quarto duplo a partir de €160.
Amadeo de Saboya, 16
Telefone: +34 963 625 900
www.westin.com/valencia
ONDE COMER
Bar Pilar
É uma instituição nas clochinas (mexilhões) e pode jantar-se na mesa da cozinha. Tem cerca de 70 anos, é o bar de tapas típico-mais-típico-não-há, na cidade velha e com muito ruído à mistura.
Moro Zeit, 13
Telefone: +34 963 910 497
Casa Roberto
Não precisa ir a La Albufera para comer um bom arroz à valenciana. No centro da cidade, perto do Mercado del Colón, fica esta instituição da paella. É sempre bom sinal ver um restaurante cheio de locais… Dois conselhos: coma como eles, com colher de pau e directamente da frigideira, e não deixe o arroz para o jantar.
Calle Maestro Gozalvo, 19
Telefone: +34 963 951 528
www.casaroberto.es
Ca’Sento
Um restaurante que existe desde 1975. Primeiro foi a casa de Vicente Alexandre, agora é do seu filho, Raúl. O chef serve comida valenciana moderna: utiliza os bons produtos desta terra fértil e dá-lhes um novo enquadramento. A decoração foi assinada por um dos melhores interioristas valencianos, Espai Guixeres.
Mendez Nuñez, 17
Telefone: +34 963 301 775
La Pepica
O favorito do escritor norte-americano Ernest Hemingway’s fica junto á praia, tem uma grande esplanada e uma paella à altura. O peixe e o marisco são outras das especialidades. Um espaço que é um clássico e já deu de comer a muitas estrelas de Hollywood.
Avenida Neptuno 6
Telefone: +34 963 710 366
www.lapepica.com
O QUE VER
Ágora
É o novo ícone da Cidade das Artes e Ciências, concebido como um espaço multifuncional de grande versatilidade para acolher eventos como congressos, convenções, concertos ou mesmo transformar-se em zona de exposições. Foi sede do Valencia Open 500 de ténis em 2009, 2010 e 2011, da Copa España Burn Freestyle, da programação especial de Natal e será, nos próximos anos, palco da Valencia Fashion Week.
Telefone: +34 902 100 031
www.cac.es
Hemisfèric
Inaugurado em 1998, o Hemisfèric foi o primeiro edifício da Cidade das Artes e Ciências. Tem cinema IMAX e é a maior sala de Espanha. Tem uma cobertura ovoide de mais de 100 metros de longitude, que alberga no interior a grande esfera que constitui a sala de projeções.
Telefone: +34 902 100 031
www.cac.es
IVAM
O Instituto Valenciano de Arte Moderna conta com dois espaços: o Centre Julio González, um edifício moderno, de 1989, que apresenta a colecção permanente do museu junto com, exposições temporárias e a Sala de la Muralla, nas caves, que conserva os restos da antiga fortificação medieval da cidade e alberga exposições temporárias.
Guillem de Castro, 118
Telefone: +34 963 863 000
www.ivam.es
Mercado Central
Um belíssimo exemplar modernista, do início do século XX, com estrutura de ferro, o maior mercado coberto da Europa, com 959 bancas, 1500 trabalhadores e 15 mil visitantes diários; legumes, carnes, peixes e mariscos locais, para comprar, fotografar e levar para casa.
Plaza del Mercado
Telefone: +34 963 829 100
www.mercadocentralvalencia.es
Museo de las Ciencias Príncipe Felipe
Contam-se mais de 26 mil metros quadrados de exposições didáticas relacionadas com ciência e tecnologia. É um grande museu do século XXI, transformado no mais visitado de Espanha.
Telefone: +34 902 100 031
www.cac.es
Palau de les Arts Reina Sofía
Rodeado por um entorno verde de 87 mil metros quadrados de jardins e lâminas de água de más de 10 mil metros quadrados, conta com quatro grandes salas para espectáculos de ópera, mas também bailado e outras artes do palco. Foi inaugurado em 2005 com dois objectivos: construir um auditório múltiplo e se tornar num lugar dinâmico e consolidador. Tem de 37 mil metros quadrados e mais de 70m de altura. Tem uma forma lenticular e é feito maioritariamente de concreto branco e de "trencadís", a cerâmica local.
Telefone: +34 902 100 031
www.cac.es
Umbracle
É um passeio ajardinado, estacionamento subterrâneo e miradouro com mais de 17.500m2 que permite vistas incríveis para toda a Cidade das Artes e Ciências. Apresenta a vegetação própria da região mediterrânea, da Comunidade Valenciana e de países tropicais, que mudam consoante as estações do ano.
Telefone: +34 902 100 031
www.cac.es
O QUE FAZER
Passeio pelos Jardins do Turia
O antigo curso do rio Turia é agora jardim. A cidade tem um milhão de metros quadrados de espaços verdes e dez quilómetros estão exactamente aqui, por baixo de quinze pontes que ligam as duas margens do antigo rio. Arquitectos foram chamados para redesenhar a paisagem, que agora consiste em árvores e flores, pérgolas e fontes, passeios pedonais e ciclovias. Para caminhar, andar de bicicleta ou correr. A sós ou acompanhado.
Aluguer de bicicletas
A bicicleta é o melhor meio de transporte para conhecer esta cidade plana, relativamente pequena, com bom clima. Nos bairros “novos”, como o Eixample Noble, há ciclovias assinaladas. O turismo tem mapas específicos para estes tours. Recomenda-se a bicicleta também para ir até à praia e a La Albufera e conhecer mais de perto o bosque, as dunas e o lago. Perto de El Palmar há barcos para passeios pela lagoa.
Do You Bike
Telefone: +34 963 155 551
www.doyoubike.com
Tour por Russafa
O antigo bairro camponês dos árabes é atualmente o mais internacional e eclético de todos e está a transformar-se num dos principais e mais modernos pólos de atracção. Cabeleireiros modernos, discotecas pijas, bares de tapas, tiendas de roupa, restaurantes modernos convivem com a gente de sempre do bairro.
Beber horchata
Horchata é uma bebida leitosa feita de açúcar, água e chufa (uma espécie de noz trazida pelos árabes e cultivada na região) e servida em horchaterias clássicas da cidade. Na Plaza de Santa Catalina existem duas: Santa Catalina e El Siglo. Para ser bebida granizada no verão e líquida no inverno. E sem moderação.
Festejar Las Fallas
A principal festividade da cidade das fiestas. Acontece em março e leva Valência e seus visitantes ao rubro: são conhecidos mundialmente os seus fogos-de-artifício. Se não gosta de confusão, fuja!
www.fallas.com
CONSELHOS PRÁTICOS
1- Compre entradas online para a Cidade das Artes e Ciências. Além de evitar filas desnecessárias, de poder ter acesso directo aos principais edifícios, pode ver quais os eventos a acontecer na altura da sua estada (e arranjar bilhete para eles também).
2- Navegue na www para saber o que se passa em Valência e a altura que mais lhe agrada. A “terra de las flores, de la luz y del amor”, como a define o hino, é a Capital Europeia do Desporto em 2011. E tanto pode ser palco da America’s Cup, de campeonatos de Fórmula 1, copa do mundo de patinagem ou de opens de ténis. E isso torna-a muito visitada. Sugerimos : www.spain.info/ www.turisvalencia.es/ www.comunitatvalenciana.com
3- Quem gosta de andar de comboio, não pode perder o AVE. De Madrid a Valência em 95 minutos, num transporte que parece levar-nos directamente para o futuro. Telefone: +34 902 320 320/ www.renfe.es
4- Adquira o Valencia Tourist Card, um cartão que oferece transporte público urbano gratuito e descontos em museus, actividades de lazer, lojas e restaurantes. Pode utilizar-se durante 24h, 48h ou 72h. O transporte gratuito inclui a cidade e o trajeto Valência-aeroporto-Valência.
(Reportagem originalmente publicada na revista Visão Vida & Viagens de junho de 2011)

A Andrea e a Sofia do bar de praia Mar a Mais, na ilha do Farol, seguiram este conselho há 7 anos...
12 praias, 12 esplanadas a sul. Artigo publicado na revista LuxWoman de Agosto de 2011, quando ainda não tinha conhecido o meu bar de praia favorito: o Mar a Mais, na ilha do Farol, Algarve.
Muitas destas esplanadas já podem ter fechado o "ano lectivo", mas muitas outras estão abertas neste Outono dourado como o sol.
Haverá coisa melhor na vida do que uma esplanada fora de época?! (haver há, mas isso agora não interessa nada)...
1- Praia do Meco e Bar do Peixe, Meco
Há muito que a Praia do Meco deixou de ser vista apenas e exclusivamente como uma praia de nudistas. As piadas continuam inevitáveis mas já ninguém evita banhar-se no Meco com medo de “imprevistos”. Hoje, a Aldeia do Meco e as suas praias alojam gente de todos os credos e idades, mas principalmente gente que gosta de areais extensos e ainda selvagens. Gente que gosta da possibilidade de liberdade. E aqui isso ainda é possível. Mesmo no pico Verão? Sim. Mesmo em Agosto. Também. O truque é desviar-se: um pouco mais para a esquerda ou para a direita, um pouco mais cedo ou um pouco mais tarde. O que não tem desvio possível é o petisco no Bar do Peixe. Podemos já não estar a dar nenhuma novidade, porque o Bar do Peixe é sempre bom e sempre será bom. São boas as amêijoas, a sangria. São bons os peixes grelhados, as saladas frias. E é bom o ambiente que, apesar de às vezes cheio demais, é sempre bom demais. Pôr-do-sol, copo de algo fresco e alcoólico e é dizer sim à boa vida.
2- Praia de Tróia e Soltroia Beach Club, Tróia
É até a vista se cansar, até as pernas mandarem parar, até o fôlego se esgotar. São estes os limites de Tróia e da sua península, da praia e do seu areal, apesar de todos os pesares (apesar da exploração imobiliária, apesar das famílias aos magotes). A praia é tão grande que está dividida em fações: Tróia-rio, que beija o Sado, Tróia-Mar, Tróia-Galé, Tróia-Atlântica e Tróia-Bico das Lulas. Fiquemo-nos pelo Atlântico apenas por uma razão chamada Soltróia Beach Club. Situada a meio da Península que vê golfinhos, a praia tem um bar-restaurante com piscina junto às dunas protegidas. É preciso dizer mais alguma coisa? Não nos parece, mas se quiser podemos acrescentar o peixe grelhado, as bebidas frescas e o dolce fare niente…
3- Praia do Pego e Origami Sushi Bar, Comporta
Praia da Comporta ou Praia do Pego venha o diabo e escolha. E quando se diz diabo, fala-se do “deus” do calor e da praia, do descanso à torreira do sol. Isto para dizer que o ideal é alternar entre a Praia da Comporta e a vizinha Praia do Pêgo, já que este ano esta última reserva-lhe uma novidade bem saborosa. O Origami Sushi Bar de Lisboa abriu uma “secção” no Bar Praia do Peixe e aí se servirão as maravilhas da cozinha japonesa em rolinhos e outras formas geométricas, para refrescar corpo e alma. É peixe, é fresco, vem com ou sem arroz e até pode ser assado – mas, de preferência venha mesmo cru. Mais: pode fazer-se a degustação bem deitadinho na toalha carregada de areia, debaixo do chapéu-de-sol e junto à geleira. Basta encomendar pelo 911 81 81 97. Isto é verão ou não?!
4- Praia da Aberta Nova e Bar dos Tigres, Melides
O areal é mesmo imenso. E intenso. A Praia da Aberta Nova tecnicamente estende-se entre Sines e Tróia, por isso aqui é impossível não conseguir fugir das enchentes. E as enchentes raramente se concentram aqui. Primeiro porque o percurso até à praia não condiz com carros topo-de-gama. Depois porque o bar de praia não é chique nem trendy e é raro encontrar por ali estrelas da TV. É um pedaço de céu na terra, portanto. Um pedaço selvagem, quase virgem, que combina dunas com pinhal, ideal para quem gosta de sentir o iodo sem ruído de fundo. E o Bar dos Tigres, apesar de não “parecer”, é. É um bar de praia e ainda por cima serve uns petiscos! (já lá comemos belas caracoladas!).
5- Praia da Vieirinha e restaurante Gost’ti Praia, Porto Covo
E pronto. Assim, de repente, sem darmos conta, já estamos “noutra”. Noutro universo, noutro cumprimento de onda, noutra postura, noutra disposição. E tudo só com dois ou três componentes: praia, petiscos e chill-out. E tudo num único lugar: o Gost’ti Praia na Praia da Vieirinha, arredores de Porto Covo. Há uma vida antes e depois do bar: antes, nem sequer havia placa para a praia; depois, tudo o que é boa gente vai lá parar. O sítio está decorado com bom gosto, com ar de mar, de férias, e é temperado com atlântico profundo, com sabores do mar, frutos do mar. Cataplanas e caldeiradas são duas das especialidades, mas os petiscos também. O choco frito não é muito light mas quem quer saber agora da dieta?!
6- Arrifana e Restaurante da Praia, Aljezur
A última vez que lá fomos estivemos a comparar o tamanho dos nossos dedos indicadores com o tamanho dos percebes. Dessa vez ficámos. Deixámo-nos ficar. Porque se fica aqui tão bem. Numa das mais bonitas praias de Portugal, numa das mais bonitas costas de Portugal, um dos melhores restaurantes de praia de Portugal. E para ser o melhor não precisa fazer muito. Aliás, não deve fazer nada. Deve continuar com aquele ar descontraído, com aquela energia surfista, sem se sentir obrigado a ter um serviço cinco estrelas mas a ter sempre petiscos acima delas. São os percebes, claro, mas é também a sangria branca, as casas de batata, os crepes. E é principalmente a vista para a praia, que se toca. E o ar que limpa tudo. Até um ano de chefes mal-humorados.
7- Praia do Amado e Sítio do Forno, Carrapateira
Ama-se, entranha-se, encanta. Experimente chegar à Praia do Amado lá pelas sete ou oito da manhã e verá como ficará viciado. A luz torna quase sobrenatural a panorâmica e o espírito surfista e campista transforma o cérebro mais complicado no mais cool dos seres. Num dos topos desta praia amada pelos praticantes e iniciados do surf, fica um sítio especial: o Sítio do Forno. O forno onde se faz comida, o sítio onde melhor se come nas redondezas – principalmente o peixe grelhado. Depois é deixar-se ficar e perceber porque é que a Costa Vicentina é uma das costas mais bonitas do mundo e arredores.
8- Prainha e restaurante Caniço, Portimão
Descer para a praia num elevador não é natural. Entrar de elevador numa gruta é menos que normal. Natural e normal é sentar-se a comer nas mesas em cima da praia que é tão pequena que se chama Prainha. Sentar-se e comer amêijoas, sardinhas ou outro peixe local, saladas, batatas e tudo o que houver mais na ementa. De preferência a horas menos concorridas e com intervalos regulares para um mergulho no mar. Estamos junto ao Alvor e a Portimão, por isso não se garante o sossego. Mas garante-se uma paisagem-emblema do Algarve e uma gruta para nunca mais esquecer de voltar.
9- Ilha de Faro e Suigeneris, Faro
Restaurante, bar, club e beach club. São muitas coisas numa só. E são “coisas” muito Suigeneris. É suigeneris ver um edifício moderno em Faro, em cima da praia de Faro. Suigeneris ter um restaurante com janelas viradas para o mar e cozinha de autor, que é também bar de praia e de cocktails, discoteca da moda, com DJ’s a actuar todos os dias ao final da tarde e pela noite dentro aos fins-de-semana. E Suigeneris ser este também o local certo para fazer uma massagem, a manicure ou a pedicure. É um Algarve cheio, mas também um Algarve cheio de pinta.
10- Ilha da Barreta ou Deserta e restaurante Estaminé, Faro
É uma das praias mais especiais do país. por ser Deserta, por ser numa das ilhas que forma a ria Formosa, por ser selvagem e imensa, por não ser povoada, por ter apenas um restaurante e uma ligação de barco a partir de Faro ou Olhão. Falamos do ponto mais a sul de Portugal Continental que tem um Estaminé especial. Um restaurante de madeira que respeita a natureza e a tranquilidade que ela impõe, mas que não esquece de pôr o peixe no prato nem as amêijoas, os chocos, as lulas e os camarões na travessa. Para nunca mais esquecer.
11- Praia da Manta Rota e Chá com Água Salgada, Vila Nova de Cacela
Há que ser honesto: não é pela praia nem pela frequência da praia que vale a pena vir até aqui. Na zona existem praias melhores. Então é porquê? É pelo Chá Com Água Salgada, que é nome curioso para restaurante-bar-esplanada maravilhoso. De madeira mas moderno, de praia mas com respeito pelo produto. Sai uns carabineiros em sinfonia de legumes, um carpaccio de polvo, um xarém com conquilha e berbigão ou um arroz de lingueirão? Saia tudo! Nós e que não saímos daqui.
12- Praia Verde e Pezinhos na Areia, Vila Real de Santo António
Gostamos de coisas modernas, somos mulheres modernas, mas gostávamos mais dos Pezinhos na Areia originais. Porque nos sentíamos bem com os pés na areia, cheios de areia, porque comíamos com os pés enterrados nelas e o biquíni a fazer figuras molhadas na roupa. Agora não. Queremos colocar o vestido antes, ajeitar o cabelo e calçar as chinelas. Mas queremos sempre ir. E ficar a comer as cionquilhas, as amêijoas, o peixe fresco, a sangria. E de preferência fazê-lo de manhã, à tarde e pela noite fora. Antes, durante ou depois dos banhos azuis de mar, mas tão verdes quanto a praia. Porque este Algarve não tem hora marcada e esta praia muito menos.
(Reportagem originalmente publicada na revista LuxWoman de agosto de 2011)

Não sou eu mas podia ser!
A’dam e eu
Conheci A’dam de bicicleta: nas exposições do Foam, às compras no Noodermarkt, a almoçar com estrelas no restaurante La Rive, a fazer um piquenique no Westerpark. A’dam e eu fomos muito felizes. Who’s A’dam? Resposta no texto abaixo.
Foto de Constantino Leite – www.cleitephotos.com
A’dam é Amesterdão. O nome é para os amigos e, por isso, estou mais do que autorizada a usá-lo. “I amsterdam” – faço minha a expressão do slogan turístico. Eu vivi Amesterdão, amei Amesterdão, fui “amsterdamer”. Rapidamente me tornei amiga da maior e mais famosa cidade da Holanda. Porquê? Por todas as razões e mais algumas e nenhuma faz rir nem está iluminada com uma “luz vermelha”…
A minha relação com A’dam começou há cerca de oito anos, quando a conheci num Novembro frio e cinzento. Foi amor à primeira vista, mesmo com nuvens carregadas à mistura. Encantaram-me as bicicletas – pensei em trazer para casa uma pintada de laranja! Deslumbraram-me as casas, as grandes janelas sem cortinas, a descontracção das pessoas que viviam lá dentro. Fascinaram-me os canais, as casas construídas sobre eles, os barcos que circulavam neles. Seduziram-me as tulipas. Conquistou-me Van Gogh e o seu museu. Surpreendeu-me o Jordaan, o bairro agora bonito e boémio – antes pobre e operário.
Mas isso foi a primeira vez. E toda a gente sabe como é difícil suplantar um primeiro amor. Passados oito anos – e outras tantas viagens a outras grandes cidades –, questionava-me… o que iria encontrar? Como iria encontrar?
Encontrei A’dam melhor do que nunca: mais madura e elegante, menos excêntrica e igualmente alternativa, vivendo a sua heterogeneidade com simplicidade. Tanto eu como A’dam crescemos. Mudámos, adaptámo-nos às exigências do mundo que se quer fazer de moderno. E tanto eu como ela não perdemos a nossa essência pelo caminho.
(Re)encontro de irmãos
A viagem à capital comercial da Holanda significou dois reencontros. Um com a cidade que tanto já tinha amado, outro com um amigo que julgava perdido. Não via Ricardo há 15 anos, mas foi como se não o visse há 15 dias. Ricardo vive há mais de uma década nesta urbe que começou por ser uma pequena aldeia de pescadores junto ao rio Amstel e tem uma casa no Jordaan (lê-se “iordan”, Mónica, não “jordan”!), o bairro mais vibrante da cidade.
Já morou em Londres, viajou pelo mundo, pensa mudar-se para a Ásia. E, ainda assim, vive como um verdadeiro “amsterdamer”: uma pessoa do mundo, com mundo, que não precisa de sair do seu bairro para ser feliz. “Às vezes vou de pantufas à loja do lado, a maioria das vezes janto fora no restaurante italiano da esquina”, conta-me divertido.
Na noite em que estive na sua casa de três andares e escadas “assassinas”, convidou-me para beber um copo num bar duas portas ao lado. E entre as muitas histórias que me contou sobre a cidade e os seus habitantes, retive uma em especial: a do sapatinho de Rodrigo (o seu filho de um ano) perdido algures numa rua desta cidade que é grande sem o ser em tamanho. O sapatinho perdeu-se um dia e, no outro, “encontrou-se” na sua caixa de correio...
Parece um fait-divers, mas torna-se um paradigma. Amesterdão é cosmopolita, de facto. É alternativa, sem dúvida. Contemporânea, arejada… Mas não deixa de ser também aquela pequena aldeia de antes. Um lugar onde (quase) todos se conhecem e se dão a conhecer.
A maior cidade planeada do Norte da Europa é conhecida por ser tolerante e progressista. É histórica a sua hospitalidade, a sua abertura à imigração, nomeadamente a de judeus. E, por causa de tudo isto, foi criada uma palavra que sintetiza tudo isso. Quando ouvir “gezellig” sinta-se em casa. Gezellig significa hospitalidade, mas também tolerância, conforto, à-vontade. Gezellig é Amesterdão e os “amsterdamers”. Somos bem-vindos aqui.
Xi-coração e uma bicicleta
Cheguei a Amesterdão vinda do aeroporto de Schiphol, no comboio rápido que desemboca na Centraal Station. Junto a esta estação de comboios, construída no final do século XIX envolta em grande polémica, estava o grande placard com o símbolo da cidade: três “x” alinhados na vertical, um coração e uma bicicleta. Por baixo do cartaz, o estacionamento mais fotogénico da história dos estacionamentos: bicicletas, aos milhares, a dar as boas-vindas e a prestar uma declaração. Estes somos nós, assim somos nós. E nós circulamos de bicicleta.
Assim seja. Antes de sair das imediações da estação, peguei num mapa da cidade no posto de turismo e aluguei a minha bicicleta. Queria ser “amsterdamer” nem que fosse apenas por uns dias! Confesso que não consegui coordenar-me com os travões nos pedais, como os holandeses, e pedi um exemplar com travões nos punhos. Aproveito a onda de confissões para dizer que, ao segundo dia, quase não conseguia encostar-me ao selim… Pequenas vicissitudes da vida – que passam ao fim de três dias, garanto. O que não nos mata, só nos fortalece (e os meus glúteos comprovam-no...).
Adiante. Peguei na minha “bina” encarnada e fiz-me à estrada.
Antes de sair daquele pedaço da Nieuwe Zidje (Margem Nova) quis perceber porque é que a construção daquele belíssimo exemplar neo-renascentista que é a Centraal Station se tornou tão polémico. Os autores são os mesmos de outras duas majestosas obras de arquitetura da cidade. P. J. H. Cuypers e A. L. van Gendt desenharam também o Rijksmuseum e o Concertgebouw (respectivamente), mas a construção do museu de arte holandesa e da majestosa sala de espetáculos não chateou ninguém (pelo menos, que se saiba). A Centraal Station sim. Chateou muita gente, porque separou a cidade do mar. E “a gente” não gosta disso não.
Para ver o que agora a vista não alcança e para mostrar como uma biblioteca pode ser um lugar onde apetece ficar, aconselho uma visita à vizinha Biblioteca Pública, a subir ao último andar e a admirar as vistas de terra e mar.
Os tais canais
A água é a “mãe” de A’dam. Foi a água que a limitou quando era mais pequena e foi ela que a formou, a fez crescer: de pequena aldeia de pescadores rodeada de água, a cidade passou a importante porto comercial; de principal cidade comercial, centro de um vasto império colonial, tornou-se a maior cidade planeada do Norte da Europa. E assim, “de repente”, com diques, canais e casas de empenas, transformou-se naquilo que é hoje: uma urbe de arquitetura própria, de uma beleza visual congruente, com água a rodos e pontes também.
A’dam tem mais de mil pontes, mais de dois mil barcos-casa ancorados à beira dos canais, centenas de esplanadas à beira d’água, milhares (senão milhões) de bicicletas a rodar no pavimento e outras tantas casas de empenas nas margens. É um colorido especial o de Amesterdão… um espírito especial, uma energia especial.
Basta olhar para o mapa para perceber como esta grande metrópole pode ainda ser uma pequena aldeia…
1- É fácil entendê-la: perceber o Anel dos Canais que abraça o centro da cidade, formando camadas protetoras e conduzindo a água a todas as partes;
2- É fácil percorrê-la: seguindo o curso dos canais ou atravessando as pontes que os ligam entre si, sempre em terreno plano (e ligeiras lombas nas pontes);
3- É fácil amá-la: ficar fascinado com as casas de canal, muitas do século XVII, a Idade de Ouro da cidade, e todas seguindo um plano regulador, que faz com que Amesterdão mantenha sempre a mesma “alma”. Casas de empenas por terem o topo triangular; Gancho no topo por ser a forma mais fácil de transportar mobílias para dentro; Ligeiramente inclinadas para o lado não por um erro de engenharia, mas para impedir que as mercadorias normalmente armazenadas no último piso caiam para a frente e partam as janelas da fachada.
Em Amesterdão há para tudo uma razão. Contava-me o amigo Ricardo que as janelas sem cortinas das casas servem, como eu imaginava, para deixar entrar o máximo de luz natural possível, já que a maior parte do ano ela é escassa. Não só mas também. Servem igualmente para defender um ideal protestante, são como uma declaração de princípios: aqui não temos nada a esconder!
O imperador, o príncipe e o cavalheiro
É no Jordaan que se sente mais a influência dos canais. É como se ali o ritmo de vida abrandasse, a luz se tornasse mais intensa, os edifícios mais tortos e ainda com mais caráter. O bairro cujo nome parece ter declinado de “jardim” tem os seus quarteirões delimitados por água e pontes. Tudo começa no Singel, o grande canal, o tal canal, o primeiro canal. Antes era o Singel que delimitava a cidade a oeste, agora é apenas o primeiro. Seguem-se o cavalheiro (Herengracht), o imperador (Keizersgracht) e o Príncipe (Prinsengracht) e sucedem-se ruas e ruas (falam-se nas “nove ruas”, mas são muitas mais) de lojas, cafés e esplanadas que interessa tentar desvendar sem correr o risco de ficar esquizofrénico.
São muitas e boas. Da Cracked Kettle, na Raamsteeg, para começar à holandesa e comprar entre as mais de mil variedades cerveja (Heineken, Heineken!) e também queijos (Gouda, Gouda!); aos gelados feitos a partir de antigas receitas holandesas da IJscuypje, e que provocam filas à porta, na Elandsgracht; aos chocolates artesanais da Chocolátl, na Hazenstraat; às típicas panquecas holandesas na Pancakes!, em Berenstraat.
Porta sim, porta sim há motivo de interesse, há esplanada onde apetece tomar um capuccino ou uma cerveja, dependendo das horas (ou não). Se está a “gritar” por café, então a sugestão é Screaming Beans, na Hartenstraat. Para comprar roupas urbanas com muita pinta há que passar pela Spoiled, na Wolvenstraat; e seguir directamente para a Red Wing Shoes, para delirar com sapatos de homem feitos à dutch, na Reestraat.
E quando é hora de pausa para algo que satisfaz mais do que duas vezes, então está na hora The Kitchen, uma escola de cozinha aberta para a rua, em Prinsenstraat, ideal para juntar amigos à volta da mesa, aprender, comer e ter uma experiência holandesa. Valha-nos o chef de cozinha que está lá para não deixar queimar o almoço…
Se for sábado ou segunda-feira, então a manhã está preenchida: Noodermarkt aí vamos nós! Mercado de produtos orgânicos ao sábado e feira da ladra à segunda, seguido de um pulinho à esplanada da Winkel para provar a melhor tarte de maçã do Globo a qualquer dia e a qualquer hora.
Dar o corpo pela alma
Antes ou depois de almoço, alimentemos a alma na Mendo, uma livraria que parece galeria, especializada em livros de fotografia, na Berenstraat. Ou então no Bijbels Museum, um edifício da Idade de Ouro que foi o século XVII, no Herengracht, e que encerra no interior uma escadaria que só por si vale uma visita. Um Museu da Bíblia num país de protestantes que mostra modelos de antigos templos judeus – é promissor, não?
A’dam gosta de arte. Facto incontestável. Galerias em catadupa contestam-no. Sem querer, entrei na inauguração de uma das mais importantes exposições da cidade, com artista incluído. Estava na Galerie Gabriel Rolt, na Elandsgracht, mas podia ter estado em mais 60, só nos limites do Jordaan.
Aproveitei a maré (e a bicicleta) para descer para próximo da famosa – e turística – Rembrandtplein e visitar o Foam, um centro de fotografia contemporânea encaixado num canto sossegado junto a uma ponte do Keizersgracht.
Antes (vantagens da bicicleta, que pára em todas as estações e apeadeiros), passei pelo mercado das flores em Bloemenmarkt. Apesar de não o achar bonito, vale pela diversidade de flores que vende. Para arenque fumado e outros acepipes-made-in-Holland, então a direção é De Pijp (pronuncia-se “paipe”). O mercado da Albert Cuypstraat é ao ar livre e é o maior da cidade, mas já vi melhor…
Já que estamos no De Pijp, então rumemos a uma pastelaria que parece saída do imaginário de Tim Burton: De Taart van m’n Tante, na Ferdinand Bolstraat, é quase tão “estranha” quanto o nome. E é também “estranhamente” deliciosa. Ali mesmo ao lado, fica a antiga fábrica de cerveja da Heineken, onde é possível fazer uma visita guiada sem ficar fermentado.
O que antes era um subúrbio de Amesterdão, onde se instalaram os imigrantes e os trabalhadores das classes baixas, hoje é o bairro mais alternativo da cidade, onde a arte e a cultura acontecem. Foi no De Pijp que a cadeia internacional Le Pain Quotidien abriu recentemente uma das suas lojas-café. E fê-lo ao lado de muitos dos cafés históricos da cidade, os chamados “brown cafés” – escuros, animados, frequentados. Sugiro o Gambrinus, não só pelo nome, mas especialmente pelo ambiente centenário à-Amesterdão: com mais cerveja do que conversa.
Inveja não é pecado mortal!
No limite-sul do De Pijp fica o hotel Okura. Mas, descanse-se, não vim aqui para dormir. Comer é o verbo de conjugação perfeita dentro deste cinco-estrelas de origem japonesa. Comer como no Japão, no Yamazato, ou comer como em França, no Le Ciel Bleu. A escolha é de luxo e leva estrelas Michelin.
De estrela em estrela, vou saltitando até à beira do rio Amstel, onde nasceu a cidade. Almoço no La Rive, sobre o rio. E à medida que vou ficando cada vez mais impressionada com os pratos que se sucedem na mesa, vou-me lembrando das palavras de Ricardo na noite anterior: “ninguém vem a Amesterdão para comer”. É um facto, ninguém vem – mas devia vir.
O La Rive provou-me isso, mas o Envy também. Se um é um típico restaurante de hotel de luxo (Intercontinental Amstel), de inspiração francesa e comida de autor, o outro é um típico restaurante de cidade: cosmopolita, com comida do mundo e ambiente descontraído. Se um tem uma esplanada em cima do rio, à altura do rio, o outro tem quatro mesinhas à beira do canal e uma vidraça que convida a luz a entrar.
O Envy faz parte de uma empresa com mais sete restaurantes e bares, entre os quais o mais recente Mazzo ou o famoso Supperclub. Mas, para se conhecer a verdadeira cozinha da cidade, tem de se comer indonésio, tailandês ou mesmo chinês. Dizia-nos Ricardo: “Os melhores restaurantes da cidade são os das ex-colónias.” Sichuan, Dinasty ou Xinh são nomes para apontar e comprovar.
Piquenique sobre a erva
De facto, as refeições à moda da cidade não levam estrelas nem estrelinhas. Porque não encher a cesta da bicicleta com os bons produtos existentes nos supermercados (ocidentais e orientais!), pegar num ou mais pacotes das “clássicas” batatas fritas com maionese holandesas (Vlaams Frites) e zarpar até ao parque para fazer um piquenique?
O parque para o fazer podia ser o maior da cidade, o Vondelpark, junto à Ilha dos Museus. Podia. E o piquenique podia ser feito antes ou depois de uma visita aos três principais museus – Van Gogh, Rijksmuseum e Stedelijkmuseum. Sim, podia. Mas não foi.
O piquenique foi organizado por Utte e Edouard, o típico casal de Amesterdão por não o ser. Como assim? Utte é de origem alemã, Edouard francês. Vivem há seis anos na cidade holandesa, mas pensam mudar-se. Têm um grupo de amigos que só precisa de um raio de sol para se reunir no Westerpark para um piquenique com espetadas de carne, hambúrgueres de soja e muito vinho. Compram uns grelhadores descartáveis no supermercado e tentam grelhar alguma coisa neles. A refeição pode não ser a melhor da cidade, mas o momento é bem capaz de ser.
Bicicletas caídas na relva, bolas que se chutam baixo, música que entoa alto, crianças, adultos, corridas, caminhadas, piqueniques à beira-lago, concertos ao ar livre, exposições, cinema… tudo é possível neste parque a noroeste da cidade e muito do que é possível tem lugar na Westergasfabriek, fábrica de gás do século XIX forrada a tijolo vermelho e agora utilizada como pólo cultural.
O piquenique também podia ter sido feito num barco. Em A’dam podem alugar-se – e alugam-se! – barcos para tudo: para um tour pelos canais, para uma festa privada, para dormir umas noites, para fazer um piquenique, para reunir os amigos, para eventos profissionais…
Em A’dam pode fazer-se quase tudo. E esta afirmação não é pretexto para falar da liberalização das drogas leves, das coffeeshops, nem sequer da prostituição-à-janela do Red Light District. Não quero falar disso. Porque, ao contrário do que muitos pensam, Amesterdão não se resume a isso. A’dam é gente e gente com charme certamente.
GUIA DO VIAJANTE
COMO IR
A TAP viaja para Barcelona a partir de €250 ida e volta). Do aeroporto de Schiphol até à Centraal Station demora-se cerca de 30 minutos, numa jornada que custa cerca de €4.
ONDE DORMIR
Shortstay Apartments
A empresa de aluguer de casas, apartamentos e barcos-casa nasceu em Amesterdão e tem opções de alojamento em todas as partes da cidade. Um apartamento pode custar cerca de €150 por noite para duas pessoas, mas quanto mais pessoas, mais barato e melhor. Por exemplo, um apartamento no Jordaan para seis pessoas custa cerca de €300 por pessoa para uma semana. Além disso, todos os apartamentos têm cozinha e podem fazer-se lá refeições e a maior parte ficam nas típicas casas de empenas (ou nos barcos-casa). É o luxo de viver uma semana como um “amsterdamer”.
www.shortstay-apartment.com
Lloyd Hotel & Cultural Embassy
Um hotel que é uma embaixada cultural, um edifício de 1920 que aloja obras e artistas de todas as partes, quartos de uma a cinco estrelas, para todas as carteiras, numa das novas zonas de Amesterdão: as Eastern Docklands, a cinco minutos da Centraal Station. 117 quartos onde se pode encontrar de tudo: um quarto insonorizado com cama para oito pessoas, quartos tipo camaratas, outros com baloiços ao centro. Não é de estranhar ter sido considerado o melhor hotel da cidade pela Time Out… Quartos de €95 a €450.
Oostelijke Handelskade 34
Telefone: +31 (0)20 561 3636
www.lloydhotel.com
The College Hotel
Um boutique-hotel na zona fashion, junto ao Vondelpark e à Ilha dos Museus, promove a formação dos alunos da Escola de Hotelaria e Gestão, dentro de uma antiga escola do século XIX. Já ganhou o prémio de melhor design de interiores de hotel na Europa. Quarto duplo a partir de €185.
Roelof Hartstraat 1
Telefone: +31 (0)20 571 15 11
www.thecollegehotel.com
ONDE COMER
La Rive
O nome é francês, mas o chef é holandês e a comida mistura Ocidente e Oriente. Rogér Rassin faz por merecer a estrela Michelin, com pratos de sonho que são realidade, como o salmonete a baixa temperatura em sous-vide, arroz tailandês, creme de ervilhas, maionese de gengibre e ligeira espuma de curcuma. Menu de 5 pratos: €90.
Professor Tulpplein 1
Telefone: +31 (0) 20 520 32 64
www.restaurantlarive.nl
Envy
Já não é uma novidade, mas mantém a actualidade. Num restaurante à beira-canal, pratica-se uma cozinha simples, de sabores mediterrâneos, num ambiente cosmopolita. Em mesas altas e corridas ou na privacidade das mesas baixas, ideais para jantares a dois, provem-se a salada de cuscus com vegetais ou o robalo com escabeche e molho holandaise, por exemplo. Menu do chef com 5 pratos a €59,50.
Prinsengracht 381
1016 Amsterdam
Telefone: +31 (0) 20 344 64 07
www.envy.nl
De Kas
Junto ao Jardim Botânico, no antigo Bairro Judeu, uma antiga estufa transformou-se num dos restaurantes mais entusiasmantes da cidade. Com horta biológica e cozinha à vista, servem-se delícias naturais, simples e deliciosas, como os canneloni de ricotta, espinafres e camarão ou a salada de couve-flor e beterraba. O produto de excepção manda e ainda bem. Não foi o acaso que o fez ser considerado pela Time Out o melhor restaurante verde de 2010.
Kamerlingh Onneslaan 3
Telefone: + 31 (0) 20 462 45 62
www.restaurantdekas.nl
O QUE VER
Museu Van Gogh
Pode parecer uma redundância, um cliché, o que quiser, mas é incontornável a visita ao maior espólio do grande artista holandês Vicent Van Gogh. Apesar de uma curta carreira artística (10 anos), a sua produção foi prolífica. Nesta sua casa mostra-se a maior colecção do seu trabalho: mais de 200 pinturas e 437 desenhos.
Paulus Potterstraat 7
Telefone: +31 (0) 20 570 5200
www.vangoghmuseum.nl
Rijksmuseum e Stedelijkmuseum
Os dois museus mais importantes da cidade encontram-se na Ilha dos Museus, juntamente com o Van Gogh. O primeiro exibe os grandes mestres holandeses, como Vermeer e Rembrandt. O segundo mostra arte contemporânea, agora em versão temporária no Stedelijkmuseum2.
www.rijksmuseum.nl
www.stedelijk.nl
Foam
“All about Photography” resume a premissa deste bonito espaço cultural junto a um canal. Exposições várias, uma revista e uma livraria mostram a fotografia contemporânea como uma arte maior.
Keizersgracht 609
Telefone: +31 (0) 20 551 65 00
www.foam.org
O QUE FAZER
Passeio de barco pelos canais
Melhor do que um passeio turístico pelos canais, é alugar um barco para passar o dia – e especialmente o fim do dia – a passear pelas águas de Amesterdão. Existem inúmeras opções. Não se esqueça de preparar o piquenique, levar o champanhe e já agora uma docking-station. Verá que não será o único.
www.rentaboatamsterdam.com
www.iamsterdam.com/en/visiting/touristinformation/gettingaround/rental/boathire
Aluguer de bicicletas
Tal como no caso do aluguer de barcos, também o das bicicletas pode ser feito em diversas empresas. Experimentámos a MacBike e ficámos muito satisfeitos: veículos em boas condições, serviço muito prestável, ao lado da Centraal Station.
www.macbike.nl
Passeio pelas Eastern Docklands
Se não ficar instalado no Lloyd Hotel, é obrigatório visitá-lo. É um conceito de hotelaria-cultural inédito e fascinante. Além disso, está situado numa zona que começa a despontar na cidade: as Eastern Docklands. Sugere-se um passeio de bicicleta pela área, passando obrigatoriamente pelo Nemo, o maior museu de ciência viva da Holanda, desenhado pelo arquitecto Renzo Piano (o mesmo da nossa Casa da Música, no Porto).
www.e-nemo.nl
Galerias e lojas de design
Antes de viajar até Amesterdão, veja quais as exposições patentes, para não perder grandes oportunidades de se cruzar com arte ao alto nível. Depois, não deixe de visitar uma loja que é quase uma galeria: a Droog Design, onde pode comprar para levar para casa.
www.akka.nl/agenda
www.droog.com
Vondelpark e Westerpark
Um é o maior parque da cidade e fica junto à Ilha dos museus. O outro é um dos mais pequenos e está situado a noroeste. Ambos são perfeitos para piqueniques, caminhadas, leituras, mas o segundo tem uma actividade cultural acima da média. Faça o verde acontecer em Amesterdão.
www.amsterdam.info/parks
CONSELHOS PRÁTICOS
1) Não há como escapar: há que andar de bicicleta em Amesterdão. Faça chuva ou faça sol. Por isso, para estar preparado para todos os tipos de humor dos céus, aconselhamos levar um impermeável para a chuva e um chapéu para o sol. Nos primeiros dias, ande com precaução e não faça como eles (faltam-lhe anos de treino). Circule nas ciclovias sempre que possível e respeite os sinais e os sentidos obrigatórios. Não tenha vergonha de cumprir as regras – o seu ortopedista agradece.
2) À saída da Centraal Station fica o posto de turismo da cidade. Vá até lá para tirar todas as dúvidas, para comprar um mapa da cidade e, de preferência, para comprar um cartão I amsterdam – dá-lhe descontos para entradas em museus, refeições em restaurantes e transportes públicos.
www.iamsterdam.com
3) Conselhos para uma visita low-cost a Amesterdão: alugar apartamento e abastecer-se nos bons supermercados da cidade, para fazer repastos em casa. As refeições não são baratas, mas assim podem ser.
TAP e Shortstay Apartments: OBRIGADA!! Sem vocês, não teríamos quase nada.
(Reportagem originalmente publicada na revista Visão Vida & Viagens de julho de 2011)

Uma linguinha de mar cai sempre bem
Croácia é praia. Certo e errado. É de facto o país das mil ilhas, uma pérola no meio do mar Adriático, com quase seis mil quilómetros de costa. Mas é também um paraíso natural, com parques nacionais, estâncias termais e sete locais classificados pela UNESCO. A Croácia é só uma, como mais nenhuma.
Os vinhos, as ostras, as carnes, os licores, as termas, as marinas, as cidades históricas, os monumentos classificados, os parques nacionais, os passeios a pé e a cavalo, a escalada, a pesca, o esqui... Não parece, mas falamos da Croácia. E alguém falou de praia? Não.
A Croácia é conhecida por ser o país das mil ilhas, a pérola do mar Adriático, mas este mês não vamos dar nenhum mergulho. E não porque não podemos, mas porque não queremos. Queremos antes explorar as cidades, o interior da zona continental, os parques naturais. Porque a Croácia é só uma, mas vale por muitas.
A UNESCO não nos desmente... Destacou sete locais Património da Humanidade: a Cidade Velha de Dubrovnik, o Palácio de Diocleciano, em Split, o Núcleo histórico de Trogir, a Catedral de Santiago, de Sibenik, o Parque Nacional de Plitvice, a Basílica de Eufrásio, em Porec, e a Planície de Stari Grad, na ilha de Hvar.
Mais: a Coastal & Marine Union, um organismo da Comissão Europeia que certifica a qualidade ambiental para o turismo sustentável, atribuiu este ano o prémio Quality Coast a este país da antiga Jugoslávia. Distinguiu a ilha de Rab, na região de Kvarner, cidade e ilha conhecida pela boa conservação da natureza, variedade de praias e ambiente cultural que remonta aos tempos pré-romanos, além do património histórico, “a hospitalidade dos habitantes locais e mais de 120 anos de experiência no sector do turismo”.
E não é a praia que está aqui em destaque.
Existem ainda sete manifestações de Património Imaterial recentemente reconhecidas: a Festa de San Blas em Dubrovnik, as rendas e bordados croatas, os brinquedos artesanais de Hrvatsko Zagorje, o Carnaval de Kastav, o canto agudo em duo de Istria, a procissão Via Crucis em Hvar e o desfile de Primavera em Gorjane.
Os reputados guias Lonely Planet elegeram a Croácia como o destino mais desejado do mundo em 2005. No ano seguinte, a revista National Geographic atribuiu-lhe o título de melhor destino para desportos de aventura.
Croácia é praia, sim. Mas não só.
Zagreb capital e o parque natural
Dizer que Zagreb é a capital da Croácia desde 1557 é registar apenas um facto. Um facto importante, é certo, mas que não inclui o encanto da vida urbana da dita capital. Não fala dos cafés e esplanadas da rua Tkalciceva, do Jardim Botânico ou do parque de Maksimir (com 200 anos), das lojas de antiguidades e pequenas galerias... e nem fala sequer de Dolac, um grande mercado diário onde se come e bebe a vida desta cidade encrustrada entre a serra de Zagreb e o rio Sava.
Os factos também não referem a movida cultural desta urbe de passado e look medieval. Os vinte teatros recebem todo o tipo de espectáculos, entre óperas e operetas, musicais e ballet, concertos de música clássica, moderna, jazz, techno, pop, rock, new age, além dos festivais tradicionais... Não faltam actividades, nem faltam museus. São 60! Sim, 60! Monumentos há muitos, mas poucos como a Catedral de Santo Estevão, ou como os marcos de arquitectura barroca e neoclássica espalhados pelas ruas, parques e praças românticas. E para ver tudo isto de cima , recomenda-se uma panorâmica para mais tarde recordar: sobe-se à Torre de Lotrscak e já está!
Zagred fica a cerca de 200 quilómetros da costa e nem por isso perde pitada de interesse... ou de encanto. Bem pelo contrário. Nos arredores, a paisagem é marcada pelas vinhas, castelos medievais e barrocos e estâncias de águas termais, mas também pelas pistas de esqui da serra Medvednica, preparadas de acordo com os standards internacionais, em 2005, para a realização de uma competição do Campeonato Mundial Feminino.
A caminho do centro do país, a paragem obrigatória é Plitvice, um dos mais impressionantes parques nacionais (mede 300km2!). Foi destacado pela UNESCO e isso percebe-se mesmo que não se saiba. Os 16 lagos e as sucessivas cascatas fazem jus a pelo menos um substantivo: beleza.
Split dos palácios e das ilhas
Um ex-libris, muitas atracções. Não é mas podia ser o slogan de Split, a segunda maior cidade da Croácia, situada na zona central. O ex-libris é o Palácio de Diocleciano, do século IV a.C., um dos monumentos romanos mais impressionantes do mundo, com 30 mil metros quadrados. Dentro das muralhas do palácio de pedra branca, esconde-se o Peristilo, um pátio rodeado por uma colunata da qual se ergue o antigo Mausoléu de Diocleciano, hoje catedral da cidade. Para uma vista de assombro, basta subir ao campanário. Não admira ser considerado Património da Humanidade pela UNESCO... Saindo das muralhas defensivas do palácio real, o destino só pode ser a Praça Nacional, onde fica a Câmara Municipal e o Palácio Karepic.
Split deita-se aos pés do Monte Marjan e, mesmo assim, não é só a paisagem que nos faz apaixonar por esta cidade costeira. A mistura de cultura, história e vida urbana confere a Split um ADN irrepetível. Isso e a sua ligação directa às ilhas mais emblemáticas deste país-arquipélago. A maior parte das ilhas da Dalmácia Central gravita em torno de Split.
Solta, Vis, Brac e Hvar. Qutro nomes estranhos, quatro paraísos que pairam sobre as águas. A última estende-se ao longo de cerca de 70 quilómetros e é desenhada pelas colinas calcárias que caem no mar. O planalto de Stari Grad (que significa Cidade Velha), a norte de Hvar, é outra das paragens declaradas Património da Humanidade pela UNESCO. Além disso, Hvar é o centro nevrálgico de um cultivo muito especial: a lavanda e todos os seus derivados.
A ilha de Vis, por seu lado, é um pedaço de natureza quase incólume. Esteve vedada aos turistas entre 1945 e 1989, enquanto pertenceu à marinha jugoslava e serviu de prisão durante o regime de Tito (o carismático dirigente da Jugoslávia nessa época). Imperdível a Caverna Azul, junto a Komiza. Descoberta em 1884, é o local onde tem lugar um fenómeno quase paranormal: a refracção de luz! Ao meio-dia, os raios de sol penetram através de uma abertura submarina e decompõem-se em raios que iluminam de azul e lilás as paredes, e os objectos submersos adquirem uma tonalidade prateada. Há memórias que valem mais que mil fotografias...
Dubrovnik, património e não só
Rica e culta. Próspera e voltada para o mar. Devotada às artes e às letras. Barroca e apaixonante. Os adjectivos nunca são suficientes quando o nome é Dubrovnik. A zona histórica é outro dos locais declarados Património da Humanidade pela UNESCO e é fácil entender porquê. Nem mesmo o terramoto que derrubou as suas jóias românticas, góticas e renascentistas, em 1667, conseguiu acabar com a sua graciosidade. Dubrovnik foi reconstruída e renasceu barroca, como uma espécie de bilhete de identidade de prosperidade. Fazemos a lista: Stradun, a rua principal com o comércio a ocupar o chão das casas barrocas; portas de Pile e Ploce; Palácio Sponza; Palácio do Reitor; Igreja de São Brás; Convento Franciscano; Fonte Monumental de Onofrio; Igreja de São Salvador; Convento de Santa Clara.
Depois existem as Elafitas... as 14 ilhas do arquipélago de Dubrovnik, onde para além da paisagem única do mar Adriático, se encontram capelas pré-românicas, igrejas e solares dos séculos XV e XVI, de estilo gótico e renascentista.
E ainda... a ilha de Korcula, com bosques de coníferas e uma história que indica ser este o berço do navegador Marco Polo, em 1254; a ilha de Mljet, com o seu território ocupado em mais de 70% por bosque; e a Península de Peljesac, onde as ostras são as personagens principais e a vinha disputa o protagonismo.
O destino tem um só nome, Croácia, mas a Croácia tem muitas paragens. Tem no currículo quase seis mil quilómetros de costa, quase três mil horas de sol, mais de mil ilhas e um mar como poucos. Mas este destino é também considerado "o jardim mais charmoso da Europa", ideal para turismo de natureza, para curas termais, para a prática de desportos vários... Entre eles, pode estar o levantamento de copos. Copos de Rakija, entenda-se. Esta aguardente nacional é para beber a qualquer hora do dia ou da noite. E este destino é para viajar em qualquer semana do mês, em qualquer altura do ano. A Croácia é o país que se quer, quando se quiser.
(Reportagem originalmente publicada na revista LuxWoman de outubro de 2010)

Digam lá que isto não apetece! Ser forever young em Monchique...
PASSEIO 1 - Parque Natural de Montesinho
ONDE: Quando falamos de Montesinho, raras vezes não nos respondem com uma pergunta. “Onde é isso?” “Isso” é um dos recantos mais bonitos do nosso país, a norte, do lado direito. Cidade mais próxima: Bragança. Ou seja, Trás-os-Montes, quase a chegar ao lado de lá (a Espanha, diga-se). Montesinho é parque natural, serra e aldeia.
O QUÊ: Por ser parque natural, com 75.000 hectares!, o verbo de conjugação perfeita aqui é caminhar. Eu caminho, tu caminhas, nós caminhamos para todo o lado, com ou sem destino. Mas também é local ideal para BTT, montanhismo ou escalada. Os rebanhos de ovelhas ainda são vigiados pelo cão pastor, chamado "cão de gado" transmontano. E, nas zonas mais altas, íngremes e ainda selvagens, ainda sobrevive o Lobo Ibérico, um dos poucos lobos selvagens na Europa.
COMO: Com muito amor pela natureza e curiosidade por tudo o que ela nos oferecer, mas também com umas botas (ou sapatilhas) para caminhar, de preferência um casaco ou camisola polar e roupa confortável. Não se esqueça que está a norte, no meio da serra: faz frio, isso é que faz! Não se esqueça também de jogos, docking station e iPod e de um ou mais livros para os serões junto à lareira.
DORMIR E COMER: A Lagosta Perdida é nome de casa de turismo rural preocupada com o ambiente, na aldeia de Montesinho (www.lagostaperdida.com; quarto duplo a partir de €95). Uma inglesa e um holandês são os responsáveis por esta casa que respeita o ambiente: o aquecimento é feito com painéis solares, o combustível da caldeira é bagaço de uvas ou casca de amêndoas, as refeições são confeccionadas com produtos biológicos. Outro alojamento a recomendar chama-se Ninho do Melro (www.ninhodomelro.com; €110 por noite para 4 pessoas). Mãe e filha desenvolvem actividades relacionadas com turismo de natureza, como caminhadas, todo-o-terreno, passeios de bicicleta, passeios guiados a cavalo. Para “comezainas” à altura do gasto calórico das caminhadas, incontornável a “instituição” Dom Roberto, junto a Bragança (Gimonde; Tel.: 273 302 510).
PASSEIO 2 - serra do Gerês
ONDE: Um lado do Minho. O lado da serra do Gerês, do Parque Peneda-Gerês, junto a Vieira do Minho, junto a uma das chamadas portas do Gerês (Campo do Gerês, em Terras de Bouro: durante a semana, das 10h às 12h30 e das 14h às 17h; ao fim-de-semana e feriados, das 10h 17h30).
O QUÊ: Andar, passear, caminhar. Pelo meio do verde-mais-verde-não-há, com mil percursos possíveis, entre natureza, vestígios arqueológicos ou etnográficos, pelo intrincado da serra ou junto à água das barragens e cascatas. Recomendação: vá à Porta de Campo do Gerês e informe-se de todo o tipo de trilhos e escolha os mais indicados à sua condição física. Os trilhos da Águia do Sarilhão, do Castelo e o das Barragens são três das possibilidades com sinalização. Mas como a tecnologia está por toda a parte, existem também percursos assistidos por PDA ou GPS, para total independência e fiabilidade.
COMO: Com muito respeito pela natureza (leve o seu lixo para casa) e, claro, com botas ou sapatilhas, roupa confortável e quente.
DORMIR E COMER: Num vale onde a albufeira da Caniçada se estende como um manto azul no meio do verde, está a Quinta do Agrinho (www.agrinho.com; quarto duplo a partir de €70). Com quartos, casas de campo, bungalows, adega, são casas rurais centenárias, recuperadas utilizando os materiais originais (granito e madeira) e envolvidas pela vegetação exuberante. Tem piscinas, campo de ténis, alugam-se kayaks para desportos na barragem e bicicletas para passeios na região. Para comer e ver, é ficar Abocanhado, abismado com a arquitectura moderna e vidraça com vista para a serra deste restaurante em Brufe (Tel.: 253 352 944).
PASSEIO 3 – rio Minho
ONDE: Na fronteira natural com a Galiza, o rio Minho, esse curso de água cheio de personalidade, junto a Melgaço, no outro lado do Parque Natural Peneda-Gerês.
O QUÊ: Rafting e paintball, rafting e BTT, rafting e caminhada, rafting e rappel, rafting e kartcross ou simplesmente só rafting. Molhar é a palavra de ordem, adrenalina é o substantivo de comando, inesquecível, o adjectivo mais apropriado. Não precisa ter medo, porque vai tê-lo com certeza, mas vai ultrapassá-lo também. No rafting da Melgaço Radical (www.melgacoradical.com; €30 por pessoa, com descontos para grupos), estão incluídos seguro de acidentes pessoais e de responsabilidade civil; fato isotérmico, corta-vento, botinas, colete de flutuação, capacete, pagaia, reportagem fotográfica, transporte, certificado de participação, suplemento alimentar e duche quente, visita ao Solar ou Adega do Alvarinho com provas (sob marcação).
COMO: Sem pensar que vai morrer, porque a morrer só se for de alegria! Parece “duro”, mas está tudo controlado pelos instrutores. Não se esqueça do fato de banho, protector solar (caso continue a brilhar o dito), toalha, chinelos e gel de banho.
DORMIR E COMER: O Hotel Monte Prado, à entrada de Melgaço, tem um argumento incontestável: está em cima do rio Minho (www.hotelmonteprado.pt; quarto duplo a partir de €94). Ao fim-de-semana pode tornar-se demasiado “turístico”, mas o serviço é simpático, o espaço é confortável e moderno e a localização não tem paga... Para comer e nunca mais esquecer, é não hesitar em seguir até Paderne, a localidade junto a Melgaço onde fica a Adega do Sossego (Tel.: 251 404 308).
PASSEIO 4 – serra da Estrela
ONDE: No alto mais alto de Portugal continental, no lugar que fica ainda mais belo sem neve, a meio do pais, ali na serra da Estrela.
O QUÊ: Passear até fartar. A pé, de bicicleta ou de jipe. Pode também fazer-se canoagem, tiro com arco, escalada, rappel, slide, paintball, karting. A altitude, que atinge os 1.993m na Torre, a posição geográfica e os efeitos das glaciações tornam este destino singular em termos paisagísticos, biológicos e geológicos. É possível observar vales glaciários, com a sua característica forma em “U”, lagoas e charcos temporários de origem glaciária, afloramentos graníticos. Ainda se podem avistar espécies raras como a lontra, a cegonha-negra, a lagartixa-de-montanha, o zimbro, o teixo e os narcisos. Além disso, podem fazer-se percursos nas aldeias históricas (a não perder Belmonte e Linhares da Beira, o paraíso do parapente).
COMO: Com energia para subir e descer, calçado para caminhar ou escalar, roupa confortável e quente e, se possível, um pau para ajudar na tracção…
DORMIR E COMER: As Casas da Ribeira (www.casasdaribeira.com; quarto duplo a partir de €60) são um excelente ponto de partida para todo o tipo de actividades. Casinhas de pedra tipo-bonecas, equipadas para uma estada confortável mas sem luxos. A Casa das Penhas Douradas é uma opção mais confortável e moderna (www.casadaspenhasdouradas.pt; quarto duplo a partir de €90). Pode retirar do site algumas opções de percursos pela serra, realizados com minúcia pelo proprietário-caminhante.
O restaurante Vallécula, em Valhelhas (Tel.: 275 487 123), é ponto de paragem obrigatório.
PASSEIO 5 - serra da Arrábida
ONDE: O Parque Natural da Serra da Arrábida tem mais de 10.000 hectares, no litoral desde Setúbal a Sesimbra. Serra e mar à vista.
O QUÊ: Passeios a pé, de bicicleta, a cavalo. Piqueniques num dos parques de merendas com grelhador, mesas e sombra. Pode também voltar para fazer um passeio de barco pelo rio Sado. O Parque Natural da Arrábida é especial porque conserva valores naturais (fauna e flora ricas e únicas), históricos, como o Convento da Arrábida, e económicos, ligados por exemplo ao fabrico do queijo de Azeitão e vinhos de mesa. Um dos passeios entre a serra e o mar faz-se na Serra do Risco. É a falésia mais alta da parte continental da Europa. Este e outros percursos são explicados em www.azeitao.net/arrabida/percursos.
COMO: Binóculos – não se esqueça! As vistas aqui são imperdíveis. Onde a terra acaba em verde e o mar começa em azul. Além do tal calçado e roupa confortável, um chapéu se fizer sol, água, uns petiscos… ou uma cesta de verga com um piquenique que vai saber à melhor refeição do ano.
DORMIR E COMER: Há Mar ao Luar e Poço das Fontainhas. O primeiro (www.hamaraoluar.com; moinho a partir de €115) é um alojamento de turismo rural no meio da serra, com um moinho que é casa e uma série de actividades ligadas à natureza, como observação de golfinhos e golfe; o segundo, um dos melhores restaurantes de Setúbal (Tel.: 265 534 807; www.pocodasfontainhas.com). Com sorte, ainda consegue comer aqui ostras e vieiras do Sado.
PASSEIO 6 - costa Vicentina
ONDE: No Parque Natural da Costa Vicentina. É a costa oeste do Algarve e estende-se para mais de 60km do Cabo de São Vicente, o ponto mais a sudoeste do continente Europeu, até Odeceixe na fronteira com o Alentejo. Tem 70.000 hectares e é uma das maiores reservas naturais em Portugal uma das mais preservadas linhas costeiras da Europa. São quilómetros de praias bombardeadas por ondulações vindas de diferentes direcções. Com falésias cinematográficas. A Reserva Biogenética de Sagres, entre o Cabo de São Vicente e a Ponta de Sagres, tem um sistema ecológico único que atrai ornitólogos de todo o mundo.
O QUÊ: Burricadas. Já ouviu falar? Pois então, costa Vicentina consigo, para a conhecer caminhando ao lado de um burro. Passeio por paisagens bravias, à descoberta da natureza, das vidas rurais na costa ou no interior do concelho de Aljezur ou pela Grande Rota 13, a Via Algarviana, com a ajuda do burro de carga. Pode (e deve) levar as crianças, os mantimentos, que o burro carrega. Além destas caminhadas especiais, podem fazer-se percursos de cavalo pela costa, de bicicleta ou escaladas com vista para o mar selvagem da região. Se a ideia for sentir o oceano mais de perto, então saiba que aqui isto aqui é paraíso do surf.
COMO: Depende das actividades, mas sempre imprescindíveis as botas ou sapatilhas e roupa confortável, um fato de banho para o que der e vier, um chapéu e uns óculos de sol para o estilo e não só...
DORMIR E COMER: Carpe Vita, aproveite a vida nestas casas típicas recuperadas, situadas num alto de Aljezur, vocacionadas para as actividades na natureza (www.carpe-vita.com; T1 a partir de €65). Para comer perceves, cascas de batata, peixe fresco e isto tudo acompanhado de sangria e vista para uma das praias mais bonitas do país (agrada, não agrada?!), a sugestão é Bar da Praia na Arrifana. Temos dito.
PASSEIO 7 – serra de Monchique
ONDE: Na “Sintra do Algarve”. Assim chamam a serra de Monchique, no extremo sudoeste de Portugal e noroeste do Algarve, protegida entre a água que desce da montanha e a vegetação que cresce exuberante.
O QUÊ: Passeios a pé entre pinheiros, medronheiros e castanheiros. Um piquenique em família. Um ponto de paragem na Fóia, miradouro natural de 902m com vista para o Algarve e Alentejo num horizonte de mar e serra. Um percurso para apreciar a flora rica, um “jardim botânico” com mais de mil espécies de plantas. Para os mais “radicais” sugere-se também escalada, BTT, arborismo… Trilhos existem de todos os géneros e feitios – de 4 a 20km – e são exemplos o percurso Bica Boa-Fonte Santa, o Semedeiro-Picota-Caldas e Monchique-Fóia.
COMO: Com o nariz atento, os olhos à espreita, bom calçado e vestuário confortável e muitos megas no cartão da máquina fotográfica.
DORMIR E COMER: A novidade na zona dá pelo nome de Longevity Wellness Resort (www.longevitywellnessresort.com; quarto duplo a partir de €89), um hotel virado para a saúde e com possibilidades de caminhadas, hipismo, ciclismo de montanha, golfe, observação de aves. Para comer, vá de Charrete! (Tel.: 282 912 142).
PASSEIO 8 - ria Formosa
ONDE: Na ria que é Formosa. Fundada em 1987, numa extensão de 60Km da costa algarvia, entre o Ancão (concelho de Loulé) e Manta Rota (concelho de Vila Real de Santo António), ocupa uma superfície de cerca de 18.400 hectares, abrangendo partes dos concelhos de Loulé, Faro, Olhão, Tavira e Vila Real de Sto António.
O QUÊ: Passeios de barco de todos os géneros e feitios – de barcos e de passeios. De umas horas, de um dia, combinados, mais ecológicos, mais turísticos, com paragem para comer as delícias do mar e da ria, como as ostras e conquilhas… Mas sempre pela ria Formosa e suas ilhas-barreira, para descobrir um paraíso natural que não se resume à praia (e que boa que ela é!). Não se pode morrer sem conhecer as ilhas da Culatra, do Farol, a Barreta, as aldeias de pescadores que sobrevivem aos tempos, as espécies de aves únicas no mundo, como o caimão-comum ou o camaleão, quase em extinção… Outra sugestão é um passeio de bicicleta na ciclovia junto à ria.
COMO: De fato de banho, máquina de filmar, máquina fotográfica, binóculos, chinelos, roupa leve, óculos de sol e lenço para soprar ao vento.
DORMIR E COMER: O Hotel Real Marina Olhão é uma das novidades da região e, apesar das suas estrelas, do spa, piscina, é a localização o seu motivo de excepção (http://www.realhotelsgroup.com/RealMarina; quarto duplo a partir de €128). Encostado à ria, tem programas diversos dedicados à observação de aves, passeios de barco e pedestres, mergulho, observação de golfinhos e cavalos-marinhos, visitas guiadas a salinas ou à zona histórica da cidade, observação de estrelas e constelações, um passeio ao pôr-do-sol com espumante e ostras ou um menu de piqueniques gourmet. Não faltam boas hipóteses para comer bem na região, mas não há como escapar à vista, ao característico, à ostra e outros petiscos da Casa da Igreja, em Cacela Velha (Tel.: 289 952 126). Nesta época só abre aos fins-de-semana.
PASSEIO 9 - Pico, Açores
ONDE: No meio do oceano Atlântico, no grupo central do arquipélago dos Açores, na ilha com o ponto mais alto de Portugal, com 2351m. O Pico, com certeza.
O QUÊ: Subida ao vulcão. A duração da subida é variável e depende da forma física dos caminhantes, mas conte, em média, com 3h30, 4 horas. Aconselha-se começar bem cedo (por volta das 7 da manhã), para regressar por volta das 17h. Mas um recuerdo inesquecível é fazer o percurso de madrugada para ver o nascer do sol lá de cima… A paisagem começa com a floresta de incenso e faia. Muitas árvores que parecem "bonsais", rocha por todo o lado e, no topo, uma grande caldeira e o "piquinho". A subida ao piquinho é relativamente rápida e compensadora: deixamos de ver o que nos rodeia para passar a ver o horizonte – nuvens, mar e restantes ilhas do grupo central.
COMO: Acompanhado de um guia, roupa quente, sapatos confortáveis, uma barra energética, água para aguentar a subida e saco-cama se for de madrugada.
DORMIR E COMER: Pocinho Bay (www.pocinhobay.com; quarto duplo a partir de €125) e A Casa do Ouvidor (www.acasadoouvidor.com; quarto duplo a partir de €100) para estadas com design no meio da natureza. Para comer com vista para o mar, escolha O Ancoradouro (Tel.: 292 623 490).
PASSEIO 10 - Levadas da Madeira
ONDE: As levadas são canais de irrigação primitivos, que percorrem 1.500Km entre vales e montanhas, e permitem aceder ao coração da ilha da Madeira. Integram-se num conjunto de áreas protegidas, das quais se destacam o Parque Natural da Madeira e o Parque Ecológico do Funchal.
O QUÊ: Ao longo destes cursos de água encontram-se espécies de fauna e de flora raras no Mundo pertencentes à Floresta Laurissilva da Madeira, floresta relíquia, distinguida como Património Natural Mundial. Podemos observar aves como o Pombo Trocaz, o Tentilhão e árvores como o Loureiro ou o Vinhático, além de muitos outros arbustos, plantas e musgos únicos no mundo. Não são os cursos de água que são únicos na Madeira, o que é único é a sua acessibilidade e extensão. O sistema de irrigação da ilha é actualmente composto por 2.150km de canais, incluindo 40km de túneis. Por isso, é começar a explorar. Uma a uma, levada a levada, para redescobrir a natureza, ao som da água das cascatas. Os passeios mais conhecidos são o do Rabaçal em direcção às 25 Fontes, o das Queimadas até ao Caldeirão Verde, o que parte do Pico do Areeiro até ao Pico Ruivo e o que vai do Ribeiro Frio à Portela. E não existem desculpas para não fazer estas caminhadas: até as pessoas com mobilidade reduzida têm um passeio preparado. Os aventureiros devem experimentar o canyoning, o slide ou o rappel.
COMO: Com fôlego, pernas para caminhar, água e alguns mantimentos, uns sapatos e roupas confortáveis e abertura de espírito para percorrer os meandros do paraíso.
DORMIR E COMER: Hotel Jardim do Atlântico (www.jardimatlantico.com; T0 a partir de €104) é a resposta certa para este tipo de férias. Ecológico, privilegia o silêncio, a meditação, oferece comida saudável e tem levadas à porta. Além disso, tem uma outra coisa que mais nenhum tem: o caminho dos pés descalços. Com cerca de 800m, este caminho é feito de 17 elementos madeirenses: calhaus, pinha, baga de eucalipto, folha de louro, areia preta e dourada de Porto Santo, areão, lamas… e com isto tudo pretende fazer uma reflexologia natural aos pés. Para manter a coerência ecológica, experimente as refeições vegetarianas do hotel.
(Reportagem originalmente publicada na revista LuxWoman de abril de 2011)

A bicicleta anda sem chumbo nem gasóleo
Um pulo a uma cidade europeia, um tour pela natureza em Espanha, uma semana de sol e mar além-fronteiras ou a redescoberta dos recantos e encantos deste país onde a terra acaba e o mar começa. 12 destinos para conhecer com ou sem crise(s). Ideias para umas férias onde o FMI não entra.
BARCELONA
Mercado & bicicleta
É fácil fazer umas férias inesquecíveis em Barcelona. Disso ninguém duvida. Mas… e se dissermos que é facílimo fazê-lo a baixo custo, acredita?! Fácil, basta estar informado e preparar-se com antecipação. Primeiro a fazer: reservar a viagem (já!) numa companhia aérea low-cost – conseguirá voos a partir de €50 ida e volta. Segundo: marcá-la para o princípio do mês. O primeiro domingo tem entradas grátis em quase todos os museus da cidade. Terceiro: navegue no site oficial do turismo e eleja os “seus” cartões de descontos. Existem de todos os tipos e dão direito a visitas temáticas pré-programadas: de bicicleta, de metro, a pé, de helicóptero, scooter, gourmet, cinematográfica, literária, modernista, nocturna…
Uma vez chegado à cidade de Gaudí, esqueça os veículos de quatro rodas. No aeroporto apanhe o autocarro A1 e saia na Praça da Catalunha. Em 30 minutos (e por apenas e por €5,10) está no epicentro da cidade. Depois, duas opções: circule de transportes públicos ou alugue uma bicicleta. A rede de metro é muito completa e, para distâncias maiores, existe o Ferrocarril. Além disso, um bilhete de metro custa €1,45, 10 viagens ficam a €8,25 e os tickets de 3 dias valem €16,50. O aluguer da “bicla” pode não ficar tão barato (de 1 hora a 1 dia: €5 a €15), mas tem pelo menos três vantagens: conhecer a cidade à superfície, levá-lo porta-a-porta onde quer que vá e fazê-lo em grande estilo “barcelonês”. Em Roma há que ser romano, em Barcelona há que ser ciclista.
Para a estada, mais uma regra: nada de hotéis, só apartamentos! Há centenas de hipóteses! A Shortstay, por exemplo, tem casas em todas as zonas da cidade. Junto à Praça da Catalunha, existe um para quatro pessoas que custa cerca de €100 por noite. Na mesma zona, a Rent4days, tem uma opção para 6 pessoas que também vale cerca de €100 por noite. A opção é duplamente económica: noites mais baratas e cozinha para fazer pequenos-almoços, almoços e jantares. Para refeições home made bem catalãs, é ir de compras ao mercado mais bonito do planeta – o La Boqueria. Oportunidade para fazer de turista e nativo ao mesmo tempo.
Para experimentar os menus locais e não ter de interromper o seu dia de passeio para ir a casa fazer o almoço, aproveite os menus executivos a €10 que quase todos os restaurantes do Eixample (e não só) disponibilizam. Um repasto bem catalão por uma ninharia.
www.barcelonaturisme.com
www.tmb.net
www.fgc.cat
www.shortstay-apartment.com
www.rent4days.com
www.bicing.cat
www.bicicletabarcelona.com
www.budgetbikes.eu
www.barcelonabybike.com
www.barnabike.com
LONDRES
Capital olímpica
É a única cidade a receber pela terceira vez os Jogos Olímpicos. O feito histórico vai acontecer em 2012. Por isso, se não conhece, apresse-se. Se já conhece, sabe que tem de se apressar. E não vale a desculpa da crise. Se reservar com antecipação, consegue voos por 40 euros, tanto em companhias low cost como com outras como a TAP ou a British Airways. Convencido quanto à viagem. E o alojamento? E a alimentação? E os espectáculos, os museus?... Vamos por partes. Budget Design Hotel é um bom começo, certo?! Pois um dos hotéis dessa cadeia está tão bem localizado quanto decorado. The Hoxton Urban Lodge tem quartos (giros!) a partir de 64 euros, com prémios em carteira, e fica num dos bairros mais interessantes do momento. Easy Hotel é outra opção com muita escolha. Com seis hotéis no centro da cidade – e alguns deles fabulosamente localizados –, oferece quartos muito simpáticos a partir de 25 euros… Ao contrário do que possa parecer, mesmo com a libra a destabilizar, é possível ir a Londres e não ter de ficar por lá a lavar pratos para pagar a viagem. Ah e tal, mas come-se caro ou mal. Errado! Experimente ir, por exemplo, ao Phoenix Palace e provar o melhor da cozinha cantonesa – 300 pratos, incluindo um óptimo Dim Sum – por cerca de 15 euros! Depois, há o clássico Beigel Bake junto ao imperdível mercado de Brick Lane (onde pode fazer compras vintage por autênticas pechinchas). Aberto 24 horas serve bagels tamanho XL por menos de cinco euros. Não foi à toa que a revista Time Out o considerou «Best Cheap Eat 2008»...
Londres é, por definição, uma cidade cara. Não contrariamos as evidências. Mas Londres é também uma cidade democrática: oferece de tudo a todos, aceita tudo e todos. Basta procurar para encontrar actividades de entrada grátis. Exemplos práticos: Theatre Royal Stratford East, National Theatre, Tate Modern, Galeria Saatchi, Royal Academy of Arts. O primeiro com música ao vivo, comédias e encontros de poesia todos os dias, outro com jazz e música étnica. Custo da entrada: 0. Na Saatchi, o mesmo; na Tate só se pagam as visitas às exposições temporárias. Na Royal Academy, é livre a entrada para os concertos da hora de almoço. Faça-nos um favor: nunca mais acuse Londres de ser proibitiva! Porque proibir deve ser o verbo menos utilizado na capital de Sua Majestade.
www.stratfordeast.com
www.nationaltheatre.org.uk
www.phoenixpalace.co.uk
www.hoxtonhotels.com
www.easyhotel.com
www.saatchi-gallery.co.uk
www.royalacademy.org.uk
CABO VERDE
Uma boa vista!
Umas férias para nunca mais esquecer. Praias quentes, gente afectuosa e ligação directa à natureza. Parece sonho, mas pode ser realidade, mesmo com os bolsos esvaziados pela crise. A Soltrópico tem uma oferta a partir de €671 para uma semana na ilha da Boavista, em Cabo Verde, com um extra para mais tarde recordar: observação de tartarugas marinhas. Além da óbvia passagem aérea e estadia de sete noites num de três hotéis à escolha (variam entre os tais €671 e os €925), este programa inclui um tour nocturno de cerca de quatro horas, com visita a uma das praias da ilha, para observação da desova, com um guia local ou biólogo. Este pacote para viagens de julho a setembro contempla a estada de uma ou duas crianças no quarto (dependendo do hotel escolhido) e é ideal para fazer em família. Praia, mornas e tartarugas numa das ilhas menos povoadas do arquipélago, com cerca de cinco mil habitantes espalhados por pouco mais de 600 quilómetros quadrados. A garantia é o descanso. E o deslumbre com uma paisagem de desertos de areia e planícies rochosas.
www.soltropico.pt
EGIPTO
A vida continua
Já valeu reportagens na televisão e tudo. A tranquilidade das praias normalmente apinhadas do Egipto, é coisa rara. Resposta óbvia à instabilidade nacional. Mas como nem tudo na desgraça é uma desgraça, esta pode provavelmente ser a altura perfeita para explorar com calma o potencial deste país de longa história. A Netviagens tem um programa de 8 dias a custar a partir de €799, com algumas refeições incluídas, e que contempla visitas ao Cairo, Luxor, Esna/Edfú e Assuão. Estão contempladas visitas às grandes Pirâmides, classificadas como uma das sete maravilhas do mundo antigo, com vista panorâmica à Necrópole de Gisé composta pelas Pirâmides de Keops, Mikerinos e Kefrén, à Esfinge que guarda a entrada da Pirâmide de Kefrén; compras no grande Bazar de Khan El Khalili, no Cairo, e um dos mais célebres do Oriente; Cruzeiro pelo Nilo, visita à necrópole de Tebas, ao famoso Vale dos Reis, onde estão os túmulos de alguns dos mais importantes faraós do Egipto, como Tutankamon, Ramsés II e Tutmosis III; Passagem pela antiga Tebas e ao Templo de Luxor e Templo de Karnak, à Grande Barragem de Assuão e ao Obelisco Inacabado, aos templos de Ramsés II e de Hathor e da Rainha Nefertari. Um circuito de 7 noites com cruzeiro de 4 noites pelo Nilo para fazer a sua própria história.
www.netviagens.pt
TUNÍSIA
Praia ponto
Esqueça o eu os amigos vão dizer, se parece mal passar sete dias numa praia, porque lhe vai certamente saber muito bem. Sol-mar-livros-descanso-desporto-cocktails é uma mistura que faz bem a qualquer um. E o “comprimido” perfeito para uma amnésia temporária (crise, qual crise?!). As praias da Tunísia prestam-se a isso tudo e adequam-se às carteiras menos bojudas. €302 por sete noites, acredita? É uma mega-promoção da Logitravel que inclui voos, estada com meia-pensão em Hammamet! A estada pode ser feita em diferentes hotéis, mas há que dizer que o mais barato é de 4 estrelas e fica num resort em frente ao mar, com vista para a praia, a 200m do parque de Carthage Land, a 500m do primeiro ringue de patinagem no gelo da Tunísia a 700m do casino e a cerca de 8 km da cidade de Hammamet. Esse mesmo hotel tem centro de fitness, ginástica aquática, ténis, ténis de mesa, tiro ao arco, voleibol de praia, serviço de massagens, banho turco, sauna, piscina exterior e interior, bar, bilhar/snooker, discoteca/ clube, lojas, mini-clube. E depois disto tudo, venham de lá os seus amigos dizer alguma coisa…
www.logitravel.pt
ESPANHA
PICOS DA EUROPA
Uma autocaravana na pradaria
Pegue na família ou nos amigos, coloque botas de caminhada na bagageira e leve a casa em direção a uma das paisagens mais espectaculares da Península Ibérica. Destino: Picos da Europa. Forma: autocaravana. Uma semana de aluguer custa a partir de 600 euros para 4 ou 6 pessoas e fica resolvida a questão da deslocação, o alojamento e até as refeições! (Pode trazê-las logo de casa). Depois, são cerca de nove horas de viagem, sete das quais em autoestrada. Pode tornar a viagem uma “viagem” e passar uma noite em Salamanca, por exemplo. Chegado ao parque nacional entre a Cantábria e as Astúrias, duas sugestões de campings para duas zonas que merecem ser conhecidas com calma e serenidade: Covadonga e Arenas de Cabrales. O parque Naranjo de Bulnes é um excelente ponto de partida para a descoberta dos Picos da Europa, mas fica também perto da praia (o mar Cantábrico é já ali) e está localizado numa terra de queijos afamados – os de Cabrales!
Existem dezenas e dezenas de percursos pedestres listados, prontos-a-fazer e a Ruta del Cares, um mais conhecidos dos Picos da Europa, começa a 7km deste parque de campismo. Caminha-se junto a um desfiladeiro de 12km de longitude e demoram-se cerca de cinco horas a ir e voltar. E vale cada segundo.
Junto ao outro camping – o Covadonga – fica a zona dos lagos. A paisagem muda, o assombro não. Há que visitar a Basílica e a Santa Cueva e os lagos de Enol e Ercina para se ter uma experiência de férias quase etérea. E não esquecer do desvio para conhecer o Museu de Altamira e Santillana del Mar, uma aldeia que parece perdida no tempo e onde se pode beber leite acabado de tirar da vaca acompanhado de uns doces caseiros, na Casa Quebedo! Voltar atrás no tempo, parar de contar o tempo – não é essa a definição de férias?!
www.campingnaranjodebulnes.com
www.campings.com/camping-covadonga-soto-de-cangas
http://museodealtamira.mcu.es
CABO DE GATA
Deserto de mar
De Lisboa a Cabo de Gata são nove horas de distância. Adulteramos a música dos Xutos & Pontapés porque nos apetece cantar mesmo quando tardamos a chegar. Conduzimos para sul, para um canto especial de Espanha. When Marrocos meets Caraíbas. Quando o deserto árido acaba em praias de sonho. Assim é a região de Cabo de Gata, com umas aldeias mal-amanhadas pelo meio, que se esquecem assim que se entra naquele pedaço de Mediterrâneo mais junto do céu.
Há milhentas hipóteses de alojamento na zona. Em San José, a principal localidade, existem La Veleta, Tres Pinos e Molincar, por exemplo, apartamentos que custam a partir de €25 por noite… No portal homeaway.com, alugam-se casas muito recomendáveis e económicas noutras zonas deste parque natural.
Depois de acomodado e com o frigorífico atestado no supermercado, não deixe de passar os dias na Playa de los Muertos e na de Genoveses. Estão longe entre si, mas são ambas bastante recomendáveis. E recomenda-se também que explore o mundo no meio delas. Um dos percursos a não perder é aquele que liga San José à Isleta del Moro, passando pela Cala Higuera, Playa del esparto, Los Escullos e Playa del Arco.
Em Cabo de Gata caminha-se, apanha-se sol, descansa-se e lava-se a alma com a água daquele mar cálido.
www.centraldeapartamentos.com
www.homeaway.pt
www.degata.com
TAVIRA
Em Cabanas junto à praia
Abrimos as hostilidades: 400 euros para alugar uma casa durante um mês no Algarve. Isso existe? Sim, existe. Basta procurar. Perder um bocadinho de tempo para poupar um bocadão de dinheiro. Em websites como o Homeaway e o Homelidays, não faltam opções: com ou sem terraço, com ou sem piscina, para 2, 4, 6, 8 pessoas, em casa ou apartamento, com ou sem churrasco, com ou sem jardim, mais perto ou mais longe do mar. Pesquisámos na região de Tavira e encontrámos soluções para todas as medidas em Santa Luzia, Manta Rota, Moncarapacho, Cabanas, Conceição ou Tavira. Os preços rondam os 300 euros por semana, mas claro que variam muito consoante a época ou a ocupação.
Depois é fazer a marmita para a praia e escolher entre as muitas e boas que acompanham a ria Formosa: Cacela, Tavira, Terra Estreita, ilha Deserta, Farol... Para essas todas há que apanhar um barco. É certo que cada viagem custa cerca de 1 euro, mas o passeio vale muito a pena. Para poupar no barco, vá alternando as praias da ria com a Praia Verde e a da Manta Rota, onde a Formosa acaba e o mar começa logo ali.
Como está aqui, não é possível passar ao lado das ostras e das conquilhas. Se sobrarem uns trocos, os petiscos (e as vistas!) fazem-se em Cacela Velha, na Casa da Igreja. Se não, à entrada de Vila Nova de Cacela pergunte onde pode comprar os bivalves fresquinhos. Anda por lá uma senhora a vendê-los acabados de apanhar. Depois é só colocar azeite e alho numa frigideira e aproveitar a sua casa ou apartamento com ou sem terraço, com ou sem jardim, com ou sem vista para o mar. Com muita tranquilidade.
www.homeaway.pt
www.homelidays.pt
ZAMBUJEIRA DO MAR
Eco-diversão
O Zmar Eco Camping Resort & Spa tem um nome pomposo para um parque de campismo, mas não deixa de o ser. É um camping-com-tudo-incluído, um parque de diversões ecológico, à beira da estrada mas também do mar da Zambujeira. E o que é que o Zmar tem? Tem contacto com a natureza, Parque Aquático com uma piscina de ondas coberta, pista aérea de cordas e slides, percursos pedestres, de BTT, ginásio de cardiofitness, campos polidesportivos e matraquilhos humanos, bungee trampolim e centro de interpretação ambiental, Zspa. Tem também alojamento, que pode fazer-se nas casas de madeira da Zvilla, os Chalés de Madeira, o Zmóvel ou da forma tradicional, nos Alvéolos, a opção mais barata (a partir de €20/noite).
Se puder e quiser jantar ou almoçar fora do camping, as amêijoas e os arrozes do restaurante da Azenha do Mar são baratos e recomendam-se. Para percebes e sargos daquela costa, o destino é só um: Longueira, a aldeia do Café Josué.
Nas imediações ficam dezenas das melhores praias do país: Aivados, Tonel, Carvalhal, Machados e tantas, tantas outras. Umas com descidas mais “radicais”, outras mais family-friendly, mas todas carregadas da beleza que distingue este Parque Natural do Sudoeste Alentejano. Não deixe de dar um salto ao cabo Sardão para fotos de pôr na moldura.
www.zmar.eu
BARRAGEM DE ODIVELAS
Alentejo fluvial
A Barragem de Odivelas é capaz de ser um dos segredos mais bem guardados do sul de Portugal. Ali no interior, mais ou menos perto de Beja e a 17km do Alvito, fica a barragem e fica o parque de campismo e apartamentos. Markádia é um empreendimento turístico muito down-to-earth. Queremos com isto dizer que não vale a pena ir à espera de luxos. O alojamento divide-se entre o parque de campismo com 10 hectares, onde se encontram balneários, lavandaria, mini-mercado e café-restaurante, e os apartamentos, com capacidade de 2 a 6 pessoas, todos com cozinha e acesso a piscina particular, e cujos extras variam entre as lareiras e as varandas (campismo a partir de €5; apartamentos desde €50). Podem alugar-se canoas, gaivotas e pranchas, para actividades na barragem, podem fazer-se passeios a cavalo ou de charrete puxada por um pónei, jogar-se ténis num dos dois campos de ténis. E pode (deve-se!) descansar com os olhos postos nestes 16 hectares de parque natural e na barragem que amansa as vistas.
www.markadia.net
SERRA DA ESTRELA
De pés na montanha
Várias hipóteses para o mesmo tipo de férias – na natureza – num dos melhores lugares do país para fazer caminhadas, a serra da Estrela. A maior montanha de Portugal continental é bem melhor sem neve. Presta-se a percursos por dentro de uma natureza que parece já não existir. Para estar numa comunhão low-buget com ela, sugerimos três tipos de alojamento: Parque de Campismo Vale do Rossim, nas Penhas Douradas e junto aos lagos; Quinta do Chão da Vinha, em Seia, um espaço de turismo rural com animais, pasto, olival e produção de queijos da serra da estrela; ou as Casas da Ribeira, um complexo de casas de pedra restaurado para servir o turismo da natureza. A Quinta do Chão da Vinha, com quartos a partir de €27,50, proporciona mergulhos na piscina, churrascos, piqueniques, observar a ordenha ou aprender como se faz o queijo de denominação de origem. Nas Casas da Ribeira é possível organizar canoagem, escalada, rappel, slide, karting, paintball, passeios de bicicleta, de jipe, tiro com arco. A diária nas casas com kitchenette ronda os €60, mas até Julho, duas pessoas podem passar lá uma semana inteirinha por €300 (€400 para 4 pessoas). Para comer fora de casa, não há como evitar o restaurante Vallécula, em Valhelhas. Muitos lugares, muitos pontos de partida para conhecer uma “outra” serra…
www.serradaestrela.biz/parques-de-campismo
www.chaodavinha.com
www.casasdaribeira.com
ERICEIRA E PENICHE
Surfar a oeste
Internacionalmente famoso pelas suas ondas, o mar da Ericeira limpa qualquer impureza do corpo e da alma. É bravo, bruto, cheio de essência, um fulgor da natureza. E para não sair desse registo, há que experimentar os Ericeira Ecolodges, um lugar onde a energia vem do sol, a água vem de um furo, a comida do jardim biológico, as lâmpadas são de baixo consumo, existem vários ecopontos que permitem ao hóspede fazer a sua parte na protecção do ambiente e a piscina é 100% livre de químicos. A cinco minutos do centro da vila, aqui tudo foi concebido a pensar no impacto ambiental (€120 por casa). Na máxima ausência dele. Com a parceria com a escola NaOnda, organizam-se aulas e saídas de surf. Mas se é de surf que está à procura, numa galáxia não muito longe dali fica o Surf Castle. Um programa de 7 dias custa 455 euros por pessoa em quarto duplo e inclui pequeno-almoço, cinco dias de aulas de surf, sete dias de equipamento, jantar de boas-vindas e seguro.
Se o orçamento não chega para nenhuma destas duas hipóteses, então siga directamente para o Parque de Campismo Mil Regos. Oferece a possibilidade de ter uma tenda com vista para o mar ou um bungalow com churrasco no meio do pinhal (a partir de €50).
E depois é só escolher: São Lourençõ, São Julião, Praia do Sul, dos Pescadores, Santa Cruz… muitos paraísos a oeste.
www.ecolodgesericeira.com
www.surfcastle.pt
www.ericeiracamping.com
(Reportagem originalmente publicada na revista Visão Vida & Viagens de Maio de 2011)

Olhem eu no meio das montanhas do Sri Lanka!
Entre sorrisos rasgados, plantações de chá e especiarias, grandes lagos e templos inesquecíveis, passeios em elefantes e visitas a parques, fica a marca do centro do Sri Lanka. Terra sagrada esta. E feiticeira...
O dia é auspicioso. Segundo o calendário lunar, esta é a data certa para celebrar o matrimónio de Supun e Ramzan. Neste dia auspicioso começa uma história de felizes para sempre. “Era uma vez” um típico casamento budista cingalês, coroado a música e dança, lágrimas de pais e sorrisos conjugais. “Era uma vez” um típico casamento budista cingalês, celebrado como manda a tradição neste profano Centro Cultural de Kandy, com noivo vestido de rei e noiva atada a ele por dedo mindinho.
Em cada um dos quatro cantos da sala, potes com flor de coco simbolizam pureza. Sobre o altar repousam bananas, folhas, leite, arroz vermelho e branco. Abundância. As folhas atiram-se para o chão seguidas de moedas, as bananas comem-se seguidas de leite. Prosperidade. Entoam-se cânticos. Alegria. Os noivos trocam alianças e cumprem um papel predefinido neste ritual sincronizado que não deixa nada nas mãos descuidadas do acaso.
Assistimos ao tradicional casamento kandyano, naquela que é a capital espiritual e cultural do Sri Lanka. Kandy foi a última capital dos últimos reis deste país a sul da Índia – com 2300 anos de monarquia e 167 monarcas que reinaram em diversas partes da ilha, culminando em Kandy, com a sua captura pelos ingleses em 1815.
Mas Kandy é também a sede do mais importante lugar budista, o Templo do Dente, e da mais relevante celebração budista desta ilha que Buda himself visitou três vezes (o Festival Esala Perahera, celebrado em dias de lua cheia entre Julho e Agosto).
O Sri Lanka é um pequeno país, grande de contrastes. Desde logo, geomorfológicos, mas também linguísticos e, sobretudo, religiosos. É um pequeno grande país, de tão intensa ser a sua personalidade. E se a diversidade é uma das suas maiores virtudes, ela é também foco de discórdia.
Budismo, hinduísmo, cristianismo e islamismo nem sempre convivem pacificamente. Os conflitos travam-se entre a maioria cingalesa budista proveniente do Norte da Índia (cerca de 70% da população) e os Tamil, hindus vindos do Sul do país vizinho, concentrados no Norte e Este da ilha (12%). Nas contas entram também cristãos (7%), muçulmanos (6%), Veddahs (os seus habitantes ancestrais, as “pessoas da floresta”) e Burghers (descendentes dos colonos portugueses, holandeses e ingleses).
A diversidade do Sri Lanka é uma das suas maiores virtudes, já o dissemos. E o Adam’s Peak (Pico de Adão) é o pico dessa constatação. A esta montanha com 2243 metros, situada no coração do Hill Country, rumam budistas, hindus, muçulmanos e cristãos desde o século XI com um mesmo propósito: chegar junto da pegada sagrada. Cada devoto encontra aqui justificação para a sua devoção: os budistas crêem que ali esteve Buda numa das suas primeiras missões evangélicas na ilha, os hindus acreditam que aquela marca foi deixada por Shiva, os cristãos estão certos de que foi Adão quem ali andou durante a sentença de mil anos por má conduta no Paraíso e os muçulmanos não duvidam que tenha sido o profeta Maomé.
Independentemente daquilo em que se acredita, facto é que este é local de peregrinação há mais de mil anos. O percurso deve iniciar-se de madrugada, demora cerca de três a quatro horas e a subida é composta por mais de cinco mil degraus. A atmosfera é mágica – ou mística?... Há luzes que nos guiam, serpenteando pela montanha até ao cume. Até à “luz”. E se a vista é inexprimível ao alvorecer, o entardecer emudece até o mais falador...
A época de peregrinação acontece entre Dezembro e Maio, entre o dia de lua cheia (Poya) do último mês do ano até ao Festival Vesak – um Poya singular, já que celebra simultaneamente o nascimento, a morte e a data em que Buda foi “iluminado” e também a última das suas três visitas ao Sri Lanka.
Os dias de lua cheia são especiais para a prática espiritual budista, já se percebeu. No Sri Lanka são, inclusive, feriado nacional, dias livres para meditar e prestar devoção nos templos. Voltemos então umas frases atrás. A Kandy e ao seu Templo do Dente, o mais importante do país. Aqui se encerra o dente de Buda, a mais sagrada relíquia budista. Diz que… alguém o retirou das chamas do funeral (em 543 a.C.) deste príncipe nascido no Norte da Índia. Diz que… o dito dente foi levado para o Sri Lanka nos cabelos de uma princesa. Diz que… quem detenha este precioso resto mortal tem o direito de governar a ilha. Diz que… os portugueses, durante a colonização do então Ceilão (chegaram em 1505), o roubaram e catolicamente o queimaram. Diz que não. Diz que ali está, em Kandy, guardado a três chaves (pertencentes a três pessoas diferentes), no segundo andar de um templo com telhado de ouro.
Diz que… porque nem vê-lo. Subindo ao piso superior, pode espreitar-se à distância a dagoba onde a relíquia se encerra (nesta estrutura em forma de sino, também chamada stupa, os budistas guardam os seus bens mais preciosos e sagrados). E se esta “distância” pode parecer ter o gosto amargo da desilusão, não tem. O encanto do Templo do Dente não está relacionado com nada humano, nem físico, nem histórico, nem arquitectural, nem cerimonial. É espiritual. E se há coisas totalmente inexplicáveis, eis-nos perante uma delas.
Cubram-se os ombros e as pernas por respeito, descalcem-se os sapatos para não arrastar impurezas para o interior deste lugar sagrado, faça-se fila para chegar ao centro do templo, onde está o dente. Pessoas sentadas um pouco por todo o lado meditam; uma espécie de sussurro colectivo flutua no ar. São orações que não pedem, apenas se esperançam. A atmosfera é feérica e as oferendas tomam forma de flores naturais e bordadas – todas flores de lótus, as mesmas que brotaram a cada primeiro passo de Buda e simbolizam o caminho do Homem em direcção ao conhecimento e à “luz”.
A estátua de Buda sentado do Templo Dourado, em Dambulla, mede 30 metros. É o cartão de visita kitsch para algo bem mais impressionante um pouco acima, onde se contam 150 estátuas feitas de madeira e granito, 2.200 m2 de superfície, cinco grutas escavadas na rocha e muitos macaquinhos saltitantes. É óbvio que este Royal Rock Temple, construído a partir do século I a.C., tinha de ser considerado Património da Humanidade. Coroa-se a História, nota-se a antiguidade, sente-se a paz. E daqui avista-se Sigiriya, outro local UNESCO.
Estamos no epicentro do chamado Triângulo Dourado, no cerne da rota das Cidades Ancestrais do Sri Lanka, a norte de Kandy. Subidos ao topo da fortaleza-palácio-templo que foi Sigiriya, fazemos uma longa viagem no tempo. Recuamos ao século V, data em que o príncipe Kassapa matou o pai e construiu uma fortaleza numa rocha de 200 metros de altura sobre a floresta, para resistir às tentativas do irmão de se apoderar do trono. A crer mais nos arqueólogos e menos nas lendas, recuamos até ao século III a.C., altura da fundação de um mosteiro budista que aqui funcionou durante milhares de anos. Das duas “teorias” escolha-se uma. Ou misturem-se as duas e tenha-se o único resultado possível a partir do cimo deste marco histórico: o êxtase.
Sigiriya significa “rocha do leão” e a imponência do sítio faz jus ao nome. Para entrar, transpõe-se uma de três portas – elefante, leão ou cobra – e para chegar ao topo (do monumento, mas também do contentamento) sobem-se 1200 degraus de mármore branco e uns quantos em caracol, nada aconselhados a cardíacos. Até 1938, as escadas ainda eram feitas de bambu...! Dêem-se graças à modernidade.
Sigiriya tem muitos atractivos: uns dos mais antigos jardins históricos da Ásia, patas de leão tamanho XL esculpidas na rocha, vista de 360 graus sobre a densa floresta cingalesa... Só isto bastaria para mais tarde recordar, mas falta acrescentar paredes-espelho com inscrições em sânscrito (a origem do cingalês) e tectos pintados com mais de 600 anos. O tempo apagou a maior parte destes frescos (eram 500), mas poupou 18 para contar uma história feita de cores naturais e mulheres sensuais.
Os batiks da fábrica Gunatilake, à saída de Kandy, são feitos mais ou menos do mesmo. De cores, algodões e sedas cem por cento naturais, cera e mel de abelha para proteger o colorido e muitas horas de trabalho minucioso. Está a sair um batik, autêntico, numa casa com 20 anos e alguns prémios no mester. Dez peças, entre saris, sarongs (para homens) e toalhas, podem demorar três dias a executar e os pontos mais complexos podem ocupar uma artesã durante cinco meses.
O artesanato cingalês é rico – porque prolifico e porque realizado em ligação directa com os frutos colhidos da natureza. No caminho entre Matale e Kandy, mais uma prova disso mesmo: loja e fábrica de artesanato de madeira. Ou melhor, de madeiras, tantas e tão variadas são as espécies e as “virtudes” de cada uma. O ébano real, por exemplo, é exclusivo do Sri Lanka e utiliza-se fundamentalmente em estátuas. A balsa, por outro lado, serve para esculpir máscaras. Para quê mascaras? Para tudo: dar boa sorte, estimular a felicidade, a amizade, a harmonia, a prosperidade... Em cada máscara, uma finalidade. Os mais inseguros podem sempre optar pela máscara medicinal, que vem com “pulseirinha”, ou seja, todas as benesses incluídas.
Não é preciso puxar muito pela imaginação para comprar recuerdos no Sri Lanka. Eles vendem-se à beira da estrada e muitos brotam da terra. No Royal Spice Garden, junto a Matale, somos recebidos por uma “galinha vegetariana”, nome nada cientifico para a Jaqueira. Quando a árvore é pequena, os cingaleses comem-na como aos vegetais; quando o fruto cresce, passam a chamar-lhe “batatas grandes” e com essas “batatas” alimentam a família.
Este jardim de especiarias não é assim tão grande, mas entre muitos “objectos” (não voadores) não identificados, descobrimos cerca de 20 tipos de chili, ficámos a saber que de uma mesma planta de pimenta se extraem a pimenta verde, preta, rosa e branca e resolvemos uma questão prática de picada-feroz-de-mosquitos-de-fim-de-tarde com o liquido da citronela, ali plantada em abundância. E, por falar em abundante... falemos em tamarindo, cardamomo, canela, caril, noz-moscada, cravinho e açafrão. Falemos dos ingredientes-base do alimento nacional. Falemos de arroz e caril. E compremos um saquinho de cada planta para mais tarde confeccionar.
Há sacos, há pacotes, há erva, há pó. E nenhum destes elementos provoca visões nem convulsões. Tem-se o que se vê e vê-se muito. Subindo às montanhas, ao coração do Sri Lanka, sentimo-lo palpitar forte, verde, fulgurante. A estrada que liga Kandy a Nuwara Eliya sobe 1400 metros por entre plantações de chá a perder de vista. É cinematográfico. Has drama, diriam os amigos ingleses, responsáveis pela criação da etiqueta “Chá do Ceilão” que põe este produto made in Sri Lanka literalmente na boca do mundo. Desde 1860 a plantar chá (depois da devastação das plantações de café que antes aqui proliferavam). Aliás, as influencias britânicas na ilha são tão intensas que as três línguas oficiais são o cingalês, o tamil e... o inglês.
Na Labookellie Tea Factory pode acompanhar-se o processo de “transformação” desta planta (da secagem à fermentação), conhecer-se as diferentes variedades (Pekoe, Orange Pekoe, Broken Orange Pekoe, Broken Orange Pekoe Fannings ou pó, a parte menos nobre que se põe em saquetas) e descobrir as diferenças entre os chás cultivados em alta, baixa ou média altitude (acima de 1200m, abaixo de 600m ou a meio, respectivamente). Pode provar-se, comprar-se e deleitar-se – com a chávena very british na mão e um cenário de cortar a respiração.
A paisagem é praticamente monocromática. Não fossem as “apanhadoras” de chá e não haveria nada mais do que socalcos verdes: verde acima de verde, em baixo de verde. As mulheres que se avistam nos campos, de manhã e ao fim do dia, de cesta às costas, não são cingalesas nem falam cingalês. São tamil e pertencem à única comunidade tamil fora do Norte e Este da ilha.
Para sul vamos. Mas podíamos ir para norte, este ou oeste. Porque, no Sri Lanka, parques há muitos e animais também. Mas só há um como o Uda Walawe National Park: com muitos, muitos, muitos elefantes selvagens (500 mais precisamente)! Nestes trinta mil hectares também se avistam búfalos, veados, raposas, crocodilos, ursos, leopardos, aves de toda a espécie e cerca de 30 tipos de cobras, mas é em busca de paquidermes que vamos.
Estamos no Sri Lanka, pois, o país que tem uma sub-espécie de elefantes da Ásia (Elephas maximus maximus), no país onde estes são os únicos animais a desfilar em procissões religiosas (vestidos de ricos paramentos), na ilha onde são considerados reis da selva, no local onde ninguém duvida da sua inteligência e, já agora, no sítio ideal para um jeep safari ou um tour de elefante! E para se deliciar ao ponto de ter de ser arrastado dali para fora, é não perder as horas do banho no Uda Walawe Transit Home, um orfanato de elefantes, primeiro do género no mundo.
Com o sol ainda no horizonte, um grupo de miúdos aproveita para os últimos mergulhos do dia no Lago Uda Walawe. Ensaboam-se, penteiam-se, riem. Aproveitam este grande reservatório arquitectado pelo Homem – um dos muitos que, desde há séculos, foram construídos para abastecer de água os campos de arroz. Esgotam as últimas horas de mais um dia quente nesta “terra sagrada”. É isso que significa Sri Lanka. Sem tirar nem pôr.
(Reportagem originalmente publicada na revista Volta ao Mundo de Abril de 2008)

Algarve em Lisboa numa rapidinha
Primeiro, Algarve. Chef Jaime Pérez do Monte Rei Golf & Country Club, junto a Tavira, está em Lisboa a mostrar de que fibra é feito - ele e a sua comida.
Segundo, Eleven. restaurante premium em Lisboa, com vista sobre ela, onde o referido chef vai mostrar a sua garra.
Terceiro, 2011. Esta é uma das muitas iniciativas que o Eleven está a promover no ano que leva o seu número... Esta é gastronómica, mas vão haver outras de outros tipos. Porque os olhos também comem e o intelecto ainda mais, haverão igualmente acções culturais e de lazer.
No saboroso caso de Jaime Pérez, estará disponível no Eleven até 15 de maio um menu especial, com ventos mediterrâneos a soprar bem forte. Começar o almoço ou o jantar com um ovo escalfado que cheira a trufa não é para qualquer um... é para quem tem bom gosto!
E se deixar escapar esta oportunidade, então vai ter de fazer o sacrifício de ir até ao interior de Tavira e conhecer este paraíso green in loco... Pobrecito...
Almoço: €35; jantar: €89 (mais bebidas)
Restaurante Eleven- www.restauranteleven.com
Monte Rei Golf & Country Club- www.monte-rei.com
ENGLISH VERSION
Chef Jaime Pérez from Monte Rei Golf & Country Club, next to Tavira, is cooking in Lisbon, at Eleven restaurant, one of the most premium ones in the city.
This is part of a series of events that Eleven is taking on in its year... And this is one of the most flavoured one. Jaime Pérez menu is availableuntil the 15th of may, lunch and dinner time. But if you miss this oportunity, you have to go to the Algarve and taste it in this restaurant, on a green hotel and golf resort... Poor you...
Lunch: €35; dinner: €89 (plus beverage)
Restaurant Eleven- www.restauranteleven.com
Monte Rei Golf & Country Club- www.monte-rei.com

Parece inofensivo, não parece?! Pois não é!
Fresco, aromático, a saber a mar... Falo de gin sem efeitos secundários. De Gin Mare. Do meu vício mais recente. Um copo gordo que enche a mão, um líquido transparente que aquece o coração, alecrim que aromatiza a relação.
Este gin não é apenas um gin. E acreditem que não é conversa de alcoólica (acho eu...). Este gin é feito numa aldeia de pescadores da Costa Dorada espanhola. Um ponto!
Além disso, a receita está intrinsecamente ligada ao Mediterrâneo e ao manjericão, ao tomilho e ao alecrim. Não parece que estou a falar de gin, pois não?! Pois sim, é gin. Pois sim, é bom como tudo. Pois sim, escorrega sem hesitações. Pois sim, são ervas. Não pode fazer mal, pois não?!
(Uma garrafa de Gin Mare custa cerca de €39 e está à venda na Delidelux, Wine O'Clock das Amoreiras, Garrafeira Campo D`Ourique, Garrafeira Internacional no Principe Real, Supermercado Tradicional no Estoril).
ENGLISH VERSION
Fresh, aromatic, tasting like the sea... I'm talking about gin with no side effects. Of Gin Mare. Of my recent adition. A fat glass that fills my hand, a transparent fluid that warms my heart, rosemary that flavours our relationship.
This gin is not just a gin. And believe me when I say that this is no booze-talk (hope not...). This gin is made on a spanish fisherman village in Costa Dorada. The recipe is inspired by the Mediterranean sea and some herbs like basilico, thyme and rosemary.
It doesn't look like I'm talking abou gin, does it? But yes, I am. I'm talking about gin. A very good one. And it is made with herbs. It can't hurt you, can it?!
(A bottle of Gin Mare costs about €39 and you can buy it on Delidelux, Wine O´Clock from Amoreiras, Garrafeira Campo D`Ourique, Garrafeira Internacional on Principe Real, Supermercado Tradicional in Estoril).

Parecem chupa-chupas!
Onde é que pode, no mesmo lugar, provar...:
1- as bruxas de Vincent Farges da Fortaleza do Guincho;
2- os búzios gratinados da Tasca do Joel em Peniche;
3- o bacalhau à brás com azeitonas explosivas do chefe-estrela-Michelin José Avillez;
4- as vieiras com espuma de caril de Paulo Morais do Umai;
5- os peixes dos Açores tratados pelas mãos-maestras de Luís Baena do Manifesto;
6- a sopa de santola da boa-transmontana que é Justa Nobre do Spazio Buondi;
7- o caldo verde com cavala fumada do Henrique Mouro do Assinatura;
8- as ostras do Ribamar, em Sesimbra;
9- as cocas de Sergi Arola;
10- as conservas da Sol e Pesca, no Cais do Sodré;
11- a sopa fria de tomate com espuma de parmesão e sapateira do Ljubomir do 100 Maneiras;
12- o risotto by Joachim Koerper, do Eleven...
??
Hein? Onde? No Pátio da Galé, até domingo, dia 17, das 12h às 00h, com extras como showcookings, concursos, apresentações de grandes chefes nacionais e internacionais e um ambiente descontraído em edifício histórico.
E ainda pode ir ao Mercado Gourmet e comprar uns atuns do melhor na peixeira Açucena, uns produtos PDF by Luís Baena, doces, vinhos e até fenómenos transmontanos que quase parecem do Entroncamento.
Vá lá, divirta-se! E aproveite para comer e bem!
Peixe em Lisboa- Pátio da Galé, Terreiro do Paço, Lisboa. Tel.: +351 808 103 835; www.peixemlisboa.com
ENGLISH VERSION
Where can you taste, in just one place...: the food from restaurants like Fortaleza do Guincho Tasca do Joel in Peniche, by Michelin-star chef José Avillez; the oriental stuff by Paulo Morais from Umai; Azores fish by Luís Baena from Manifesto; the soup by Justa Nobre from Spazio Buondi; the best of Henrique Mouro from Assinatura; seafood from Ribamar, in Sesimbra; food by Sergi Arola; the best canned-fish from Sol e Pesca, on Cais do Sodré; the work from Ljubomir Stanisic from 100 Maneiras and Joachim Koerper, from Eleven...
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Where? On Pátio da Galé, until sunday, the 17th, from 12h to 00h, with showcookings, contests, big portuguese and international chefs and a Gourmet market where you have to buy the fish from Açucena, the gourmet products called PDF made by Luís Baena, and so on and so on.
Go and have fun! And, in the meantime, eat!
Peixe em Lisboa- Pátio da Galé, Terreiro do Paço, Lisboa. Tel.: +351 808 103 835; www.peixemlisboa.com

'Ganda' pinta!
... Maria José Santos de Vila Nova de Gaia.
A viagem é longa mas a chegada compensa tudo.
Parabéns, Maria José! Ganhou o passatempo Monica Inn/ Hotel Grande Real Santa Eulália: alojamento para duas pessoas com pequeno-almoço e circuito de talassoterapia! Uma maravilha, garanto.
A frase conquistadora foi: "Descubra o balanço das palavras no workshop de viagens da Mónica Franco. Porque no Hotel Real Santa Eulália, o pensamento viaja ao sabor das emoções!"
HOTEL GRANDE REAL SANTA EULÁLIA- Praia de Santa Eulália, Albufeira. Tel.: +351 289 598 000
ENGLISH VERSION
The winner of our contest was Maria José Santos, from Vila Nova de Gaia. She won a weekend on the Algarve with thalassoterapy! Congratulations.
HOTEL GRANDE REAL SANTA EULÁLIA- Praia de Santa Eulália, Albufeira. Tel.: +351 289 598 000

Terreiro do Paço, Lisboa, 23 de Março de 2011. Um restaurante acabado de reformular recebe grupo de jornalistas para almoçar. Eu incluída. Ao entrar, o choque apodera-se de mim, dou dois passos atrás, penso que me enganei na porta.
O ex-Terreiro-do-Paço-de-Vítor-Sobral já era! Agora, no mesmo lugar, pelas mãos do mesmo Grupo Lágrimas (e pela mão exímia, viajada e até decoradeira de Miguel Júdice), está um restaurante diferente. Lembra uma taberna à antiga portuguesa, mas depois tem mundo: nas paredes, através de um atlas feito de postais da avó Júdice e à mesa, com 'composições' que misturam tendências.
Gostei especialmente do polvo com batata-doce e grelos, do melhor pão-de-ló do universo e do espírito: garrafa na mesa, comida à mão, vozes altas.
O conceito é semelhante ao de dois outros restaurantes de Lisboa da minha preferência: Taberna e Petiscaria Ideal, em Santos. Restaurante e petiscaria da mais despretensiosa e 'bacana' dupla que existe: Susana e Tânia.
Não são novidade estes dois restaurantes em Santos (aliás, estive a jantar na Petiscaria há um par de semanas quando comemorou 1 ano). A novidade da dupla-bacana (como a pizza, mas muito muito melhor!) é que vão abrir um novo restaurante até ao início de abril.
Local: Santa Catarina, Chiado, Museu da Farmácia, esplanada virada para o Tejo, conceito mais premium. O resultado vai-se chamar Pharmácia e promete dar que falar (e de comer!).
O antigo está na moda, o velho é o futuro. Será que estamos a ficar fartos das 'modernices'?? É porque, afinal, ainda há coisas como antigamente...
Terreiro do Paço- Praça do Comércio, Pátio da Galé, Lisboa. Tel.: 210312850
Taberna e Petiscaria Ideal- Rua da Esperança 112-114 e 100, Santos, Lisboa. Tel: 213962744/213971504
ENGLISH VERSION
Terreiro do Paço, Lisbon, march 23th 2011. I visited a reborn restaurant with Grupo Lágrimas signature. It looks like an old portuguese tabern, but it has the whole world in it: on the walls, with the atlas made of grand-mother's postcards, and on the table with mixed influences.
I loved the octopus with sweet-potato and the best 'pão-de-ló' of the universe. And loved the free-spirit: bottle on the table, eating with our bare hands, loud voices.
The concept is similar to two of my favourite restaurants in Lisbon: Taberna and Petiscaria Ideal, Santos neighborhood. Made by Susana and Tânia, they're no news, but something else is...
Until the begining f april, this same team is going to open a new restaurant-terrace on Santa Catarina, Chiado, in the Museu da Farmácia building, looking to Tagus river. Pharmácia is the name.
Terreiro do Paço- Praça do Comércio, Pátio da Galé, Lisboa. Tel.: +351.210312850
Taberna e Petiscaria Ideal- Rua da Esperança 112-114 e 100, Santos, Lisboa. Tel.: +351.213962744/213971504

Oh pra mim a convencer-vos a ir até ao Santa Eulália...
Pois bem. Santa Eulália é nome de praia junto a Albufeira. E Grande Real Santa Eulália Resort & Hotel Spa é nome de hotel de cinco estrelas "abancado" nessa mesma praia, em cima do areal. É aí, nesse preciso lugar, que vou dar o meu próximo workshop de escrita sobre viagens, daqui a sensivelmente uma semana.
Abençoada pelas águas do spa de talassoterapia, "recauchutada" por dentro e por fora com essas águas do mar terapêuticas, não há como não "bombar" umas ideias para quem gosta de viajar, escrever sobre viagens ou simplesmente falar sobre elas. (Quem não gosta?!)
Digamos ainda que quem enviar a frase mais criativa a respeito do meu workshop e do hotel Santa Eulália ganha um fim-de-semana neste hotel algarvio. E garanto que esse presente nunca vai esquecer. Fico à espera... monica@monicainn.com
ENGLISH VERSION
Well... Santa Eulália is the name of the beach nearby Albufeira. And Grande Real Santa Eulália Resort & Hotel Spa is the name of the five star hotel on this same beach, right in the sand. Is over there, in this sand and this hotel that I'm going to give my next workshop: travel writing, in about one week.
Who doesn't like to travel, to write about it or even talk about it?! So, give it a try and send me some creative and funny lines about my workshop and about the hotel and you can win a weekend on this sunny-paradise hotel on the Algarve. I'll be waiting... monica@monicainn.com

Bate forte fortemente como quem chama por mim
...Mais o quê? Mais mar, mais comida, mais marisco, mais talassoterapia, mais «binas», mais vistas, mais museus. Sim, este sol que espreita a primavera fez-me voltar a Cascais e ao Guincho. O sol e dois convites, diga-se de passagem.
Primeiro fizeram-me cozinhar na Fortaleza do Guincho... Isto de andar a explorar mão-de-obra barata numa cozinha com uma estrela Michelin devia tornar-se moda, porque não se queixaram nem a mão-de-obra barata nem os chefes estrelados, Vincent Farges e Antoine Westermann.
Este primeiro convite fez-me voltar a pensar na Fortaleza do Guincho e em como é uma das poucas cozinhas Michelin que eu tenho sempre prazer em voltar. Principalmente ao almoço, com vista para o mar - este mar!
O segundo convite também tinha vistas: Villa Itália Hotel & Spa. Quarto com vista, piscina com talassoterapia (circuito de fazer renascer mortos a €30)... Mesmo que não se goste da decoração de Graça Viterbo, vai-se obrigatoriamente gostar de estar aqui. (Ao contrário da decoração) este hotel é um cinco estrelas despretensioso - and I like it!
Em frente ao Villa Itália está o mar. E a ciclovia. A dois minutos a pé, para a direita, a casinha onde se troca o B.I. (sim, sou old-fashioned, ainda tenho B.I. e orgulho-me muito dele!) por uma «bica». Esta bica não fumega, mas tem duas rodas que o podem levar às Furnas do Guincho ou ao Mar do Inferno.
Dois nomes com significado para os dois melhores restaurantes de peixe e marisco na estrada do Guincho. Na minha opinião, claro! mas eu não sou crítica...
Para comer as bruxas de Cascais e não sair com nenhuma praga ou para lamber os dedos com carabineiros fritos, a dona Lurdes (do Mar do Inferno) é que sabe! Se prefere um ambiente romântico com mesas literalmente em cima do mar e um peixe acabado de pescar, então não há que enganar: Furnas do Guincho.
Mas Cascais não é só come-e-dorme. Mais perto do centro da vila, abriu aquele que é um dos meus museus preferidos de Portugal:. Casa das Histórias, Eduardo Souto Moura e Paula Rego formam o trio invencível em tons de barro e laivos de génio.
Fortaleza do Guincho Hotel & Restaurante - www.guinchotel.pt
Grande Real Villa Itália Hotel & Spa - www.realhotelsgroup.com
Restaurante Mar do Inferno - www.mardoinferno.guiadacidade.com
Restaurante Furnas do Guincho - www.furnasdoguincho.pt
Casa das Histórias - www.casadashistoriaspaularego.com/pt
ENGLISH VERSION
Cascais is ocean, food, seafood, thalassoterapy, bikes, great views, museums. Yes, the sun is shining and it made me go back to Cascais and Guincho. The sun and two different invitations...
The first, Fortaleza do Guincho... A Michelin star restaurant and a five-stars hotel by the one-and-only Guincho sea.
The second invitation also had great views...: Villa Itália Hotel & Spa. Room with a view, pool with thalassoterapy (and a water circuit that makes a dead reborn for €30).
Villa Itália is by the sea and by the most beutifaul bycicle path I've ever known. And also in the neighborhood, is the «bicas»-house where you can change your ID for a bycicle.
Run to Furnas do Guincho or Mar do Inferno, two names for my favourite seaside restaurants. Fresh seafood and fish with the sea on the side.
But Cascais has more in it. It has also one of my favourite museums: Casa das Histórias. A place where the arquitect Eduardo Souto Moura and the painter Paula Rego show all of their best. Finish cascais tour with a touch of genious...
Fortaleza do Guincho Hotel & Restaurante - www.guinchotel.pt
Grande Real Villa Itália Hotel & Spa - www.granderealvillaitaliahotel.com/pt
Restaurante Mar do Inferno - www.mardoinferno.guiadacidade.com
Restaurante Furnas do Guincho - www.furnasdoguincho.pt
Casa das Histórias - www.casadashistoriaspaularego.com/pt

Coca que não cola nem nas mãos
Não se exaltem já. Há muitas «marias» na terra e esta coca é o nome catalão para uma espécie de pizza muito tradicional lá para aqueles lados. E agora essa coca foi exportada para Portugal, por um dos máximos representantes da cozinha catalã e o único a «marcar o ponto» em Portugal.
Falo de Sergi Arola e do seu restaurante homónimo na Penha Longa, Sintra. E falo também do novo menu apresentado ontem, que incluía esta bela maravilha chamada Coca Ibérica. É ibérica porque leva presunto ibérico, o saudoso jamón.
Serve esta novidade para introduzir um tema que é muito caro: falar das melhores pizzas e seus sucedâneos no reino de Lisboa e arredores. À cabeça, uma e mais nenhuma: Lucca (e seu irmão La Finestra). Segredo: simplicidade e produtos frescos, além de uma massa fina qb.
Também sou fã do Casanova. As pizzas são óptimas, mas o sol e a esplanada junto ao Tejo são ainda melhores.
Depois, as novidades: Forneria Estado Líquido é o novo primo dos restaurantes de sushi de Santos. A missão é trazer as melhores pizzas de São Paulo para Lisboa.
No Chiado, um conceito paralelo: as flammes do Storik. Trocado por miúdos: espécie de pizza, de massa hiper-fininha, de inspiração alsaciana. Lá perto, subindo a rua na direcção do Príncipe Real a mesma Maria Paola do Casanova abriu Pizza a Pezzi para fatias ao momento e, no interior do Bairro Alto, apenas uma direcção - Simplesmente Maria - e uma opção: à dentada.
O roteiro é este: é fácil, é barato e quem não gosta de pizzas ponha o dedo no ar. (Não vejo nenhum dedo...)
Os contactos vêm por ordem de preferência...
Lucca- Travessa Henrique Cardoso, 19-B (junto à avenida de Roma), Lisboa. Tel.: 217 972 687. www.pizzerialucca.com
La Finestra- Av. Conde de Valbom 52A, Lisboa. Tel.: 217 613 580. www.lafinestra.pt
Casanova- Av. Infante D. Henrique, Cais da Pedra, Armazém 7 Loja B, Lisboa. Tel.: 218 877 532. www.restaurantecasanostra.com/cnova
Arola-Penha Longa Hotel, Spa & Golf Resort- Estrada da Lagoa Azul, Linhó, Sintra. Tel.: 219 249 094. www.penhalonga.com/dining_arola_p.html.
Storik-R. do Alecrim 30 B-D, Lisboa. Tel.: 216 040 375. www.storik.pt.
Simplesmente Maria- Rua da Atalaia 108, Lisboa. Tel.: 213 432 143.
Forneria Estado Líquido-Largo de Santos, nº 9-A, Lisboa. Tel.: 213 972 022. www.estadoliquido.com.
Pizza a Pezzi-R.Dom Pedro V, 84 (Príncipe Real), Lisboa. Tel.: 934 563 170. http://restaurantecasanostra.com/pizzaapezzi.
ENGLISH VERSION
Where are the best pizzas in town? Easy... Yesterday I went to Arola Penha Longa restaurant and had a taste on the new menu. This Coca Ibérica (on the photo) is one of the new dishes, inspired by a traditional way of doing a kind of pizza in Catalunia.
This new menu was the perfect excuse to say something I long for wished to say: my favourite pizzas in Lisbon. Easy. My number one is Lucca (and his brother La Finestra). The secret is simplicity and good fresh products.
Then Casanova, with great pizzas with awesome and sunny terrace by tagus river. Theb the news...: Forneria Estado Líquido in Santos, Storik in Chiado, Pizza a Pezzi in Príncipe Real and Simplesmente Maria in Bairro Alto.
This is pizza-tour in Lisbon...
Lucca- Travessa Henrique Cardoso, 19-B (junto à avenida de Roma), Lisboa. Tel.: 217 972 687. www.pizzerialucca.com
La Finestra- Av. Conde de Valbom 52A, Lisboa. Tel.: 217 613 580. www.lafinestra.pt
Casanova- Av. Infante D. Henrique, Cais da Pedra, Armazém 7 Loja B, Lisboa. Tel.: 218 877 532. www.restaurantecasanostra.com/cnova
Arola-Penha Longa Hotel, Spa & Golf Resort- Estrada da Lagoa Azul, Linhó, Sintra. Tel.: 219 249 094. www.penhalonga.com/dining_arola_p.html.
Storik-R. do Alecrim 30 B-D, Lisboa. Tel.: 216 040 375. www.storik.pt.
Simplesmente Maria- Rua da Atalaia 108, Lisboa. Tel.: 213 432 143.
Forneria Estado Líquido-Largo de Santos, nº 9-A, Lisboa. Tel.: 213 972 022. www.estadoliquido.com.
Pizza a Pezzi-R.Dom Pedro V, 84 (Príncipe Real), Lisboa. Tel.: 934 563 170. http://restaurantecasanostra.com/pizzaapezzi.

Viagem a Lisboa com sotaque
Publiquei no Brasil. Estou contente. Na Casa Vogue Brasil. Estou feliz. E falei sobre Lisboa. Recomendei a «minha» linda cidade aos irmãos do outro lado do Atlântico. Fiquei orgulhosa!
Roteiro da capital. Roteiro-capital.
Sábado de manhã. Acordo no Hotel Jerónimos 8, um dos únicos dois da cidade com a etiqueta «Design Hotel». E único no mundo. Porquê? Pela proximidade e pela vista sobre a pérola de arquitectura manuelina que é o Mosteiro dos Jerónimos. É o acordar mais português possível. E mais contemporâneo também…
Acordo cedo, com a luz que entra pela janela, tão fresca quanto essa mesma luz. Começo o meu primeiro dia em Lisboa com uma das experiências imperdíveis da capital de Portugal. Uma «bica» acompanhada de pastel de Belém na Fábrica dos Pastéis de Belém, que guarda segredo da sua receita desde o século XIX.
Em dois minutos, um pulo de dois séculos. Atravesso o jardim, passo pela fachada «classicista» dos Jerónimos e entro pelo Centro Cultural de Belém adentro decidida a visitar o Museu Berardo, um dos mais contemporâneos de Portugal. O CCB, concluído em 1993 e assinado pelo conhecido arquitecto Manuel Salgado, foi uma das obras mais polémicas do passado recente de Portugal. Hoje é um dado adquirido na cultura de Lisboa e do país. Havia vida antes do CCB?!...
Atravessando a estrada, fica o rio. E o que é Lisboa sem o Tejo? O rio que sempre a viu crescer, tem visto tudo crescer à sua volta. O Altis Belém Hotel & Spa é uma das obras acabadas de inaugurar. Mais uma peça marcante assinada por Manuel Salgado e uma das mais recentes desta zona ribeirinha. Fica entre dois ícones da cidade e do país – o Padrão dos Descobrimentos e a Torre de Belém – e no final do percurso da recentemente inaugurada ciclovia que liga Belém ao Cais do Sodré.
Do Cais do Sodré ao Chiado são apenas uns cinco minutos caminhando. E caminhando por uma das zonas mais bonitas da cidade que é bonita por dentro e por fora.
Almoço no Noobai, junto ao Miradouro de Santa Catarina. Olho agora o Tejo de cima, vejo e a ponte 25 de Abril e Almada do lado de lá do rio e aprecio o cosmopolitismo do lugar. Lisboa está na moda, sem dúvida. E que bom é partilhar esta esplanada no centro de Lisboa com gente de todo o mundo!
A tarde passo-a passeando pelas ruas do Chiado, o bairro mais chique e tradicional da capital de Portugal. Entro n’A Vida Portuguesa e faço uma viagem no tempo sem sair de um só lugar. «Antigos, genuínos e deliciosos produtos de criação portuguesa» para olhar, provar e comprar. Uma nostalgia positiva de levar para casa!
Desço a rua Garrett, entro na minúscula Luvaria Ulisses, que tem tanto de pequeno quanto de grandioso. Nos móveis de inspiração Império guardam-se autênticas «pedras preciosas». E por detrás daquela fachada neoclássica, exibem-se luvas que são um clássico!
Já estou praticamente na famosa baixa lisboeta, a uma esquina de distância da Praça do Rossio, do magnânime Teatro Nacional Dona Maria II e da não menos grandiosa Estação Ferroviária do Rossio. Tomo mais uma «bica» no café Nicola, o poiso regular de um dos poetas lusitanos mais famosos de sempre (Bocage) e rumo ao MUDE, o Museu de Design e da Moda, o museu mais recente da cidade, o mais trendy da cidade.
E por falar em trendy… o último «grito» de Lisboa chama-se Bistro 100 Maneiras. É uma das novidades da capital portuguesa, situado onde antes estava um dos restaurantes mais antigos do país. Junto ao Teatro da Trindade, o chef de origem jugoslava, Ljubomir Stanisic, serve uma cozinha de inspiração tradicional que só podia ser feita em pleno século XXI.
Quando a noite cai, os destinos têm dois nomes: Bairro Alto (bem juntinho ao Chiado) ou Santa Apolónia. É para essa zona ribeirinha que sigo. O rio acompanha das batidas dos dois spots incontornáveis da noite lisboeta: discoteca LuxFrágil, a instituição; Clube Ferroviário, o jovem com futuro.
O Lux, o restaurante Bica do Sapato e a Lojadatalaia pertencem a Manuel Reis, um dos homens mais influentes da noite portuguesa e um verdadeiro trendsetter. E os três se localizam neste cais junto ao Tejo. Cais da Pedra ou da Bica do Sapato, chamam-lhe sem se decidir por nenhum dos nomes. É aí também que fica a DeliDelux, uma mercearia fina-café-esplanada que serve um dos melhores e mais animados brunchs da capital.
E é aí que quero terminar. Num brunch luminoso com o Tejo e os barcos a passar à minha frente… Num início de tarde de domingo, depois de uma corrida desde o Parque das Nações, o local onde tudo aconteceu durante a Exposição Universal de 1998.
Aí aconteceu e acontece o Pavilhão de Portugal, o edifício mais emblemático do mais emblemático arquitecto português, Siza Vieira; aconteceu e acontecem os grandes concertos do Pavilhão Atlântico, desenhado por Regino Cruz; aconteceu e acontecem filas à porta do Oceanário, para ver peixes e peixinhos num dos melhores aquários da Europa.
É aí que quero acabar o meu fim-de-semana em Lisboa. Pensando na cidade, assimilando a cidade, sorrindo com a cidade… enquanto bebo um «galão» morninho e pisco o olho ao Tejo. Ele sabe, ele sempre saberá…

Derretem na boca e não nas mãos!
Bom dia! Hoje começamos logo a abrir... com um pão-por-deus pela fresca, daqueles cheios de coco por cima e fofos por baixo, abertos ao meio e suavemente adornados de queijo e fiambre. Não há dia que possa começar mal assim.
E eu descobri o melhor pão-de-deus de Portugal e arredores. Ainda por cima fica muito perto de casa, ali junto à praça do Areeiro. E para acabar com todas as resistências calóricas possíveis, não é só o pão-de-deus que é bom (não, é muittooo bom), mas todo e qualquer pão e bolo que se encontre por detrás daquela porta recentemente aberta ao público.
Pequeno-almoço com sumo de laranja natural, almoço com sopa, brunch, slunch servem todos de desculpa para conhecer A Padaria Portuguesa, porque é boa com toda a certeza.
A Padaria Portuguesa- Avenida João XXI, nº 9 Lisboa. Tel.: +351 218.485.083
ENGLISH VERSION
Good morning! We're fresh startint today... with a "pão-por-deus" filled with coconut and fluffy on the inside, with cheese and cold ham to make it perfect. I've discovered the best "pão-de-deus" in town. Nearby Areeiro square. And forget about counting calories! Not only the "pão-de-deus" is awesome, but also every piece of bread or cakes inbetween those walls there are simply made in heaven...
A Padaria Portuguesa is the name you will not forget. I assure you!
A Padaria Portuguesa- Avenida João XXI, nº 9 Lisboa. Tel.: +351 218.485.083

O verdadeiro dois em um
Digamos que estou um bocado cansada do Dia dos Namorados, mas vá lá, que seja a desculpa perfeita para o pedido perfeito. E o pedido nem precisa ser feito. Há gestos que valem mais do que palavras e este, o de oferecer uns anéis fashion e totally not-aliança-look, faz tudo por nós.
Sugestão: ela oferece a ele, ela pede a ele. Para sair da dita normalidade. Ser anormal é bom!
AH e há que dizer em P.S. que o passatempo "O Amor É..." acaba hoje... Ganha-se €50 em compras. No ebay não se fala de crise!
Anéis: €43,72 no ebay Portugal.
Veja mais em www.facebook.com/pages/Deal-Hunter-Portugal
ENGLISG VERSION
I have to confess... I'm a little bit tired of valentine's Day, but OK, let it be the perfect excuse for a perfect request. With this two-rings-in-one, you don't need to ask, just to give it. And it has to be "her" to give it to "him". Or else is too annoying, too normal. And being abnormal is allways good...
And don't forget! The contest "Love is..." ends today. You can win €50 on ebay shopping!
Rings: €43,72 on ebay Portugal.
www.facebook.com/pages/Deal-Hunter-Portugal